<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165</id><updated>2012-02-15T23:07:26.133-08:00</updated><category term='Escola'/><category term='contos'/><category term='Saramago'/><category term='sonho'/><category term='Jornalismo'/><category term='Natal'/><category term='A minha história'/><category term='Política'/><category term='Sociedade'/><category term='trânsito'/><category term='Eu'/><title type='text'>linguafiada</title><subtitle type='html'>A minha vida, em pedaços</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>38</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-8819787796920139948</id><published>2011-09-07T14:10:00.000-07:00</published><updated>2011-09-13T14:19:25.667-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A minha história'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eu'/><title type='text'>Presépios originais</title><content type='html'>Se fosse adulta há 34 anos atrás...decerto que gostaria imenso do presépio do Natal de Vila Nova de Tazem, naquele mítico ano de 1977, aquele em que nasci. Ora vejamos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "Ó mãe, que beleza é o Menino Jesus do presépio vivo que está à frente da Igreja. Tão gordinho, rechonchudo, pena não ter uma máquina fotográfica para tirar uma fotografia", contava a Emília à mãe, enquanto preparavam ambas o almoço. &lt;br /&gt;- "já sei o que queres filha. Queres que vá ver o menino. Está bem, quando formos visitar a tia passamos por lá...."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Emília ficou satisfeita.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Conforme combinado, após o almoço, foram ver a criança. Estavam a admirar o menino, a comentar a maneira sossegada como se comportava, quando o insólito aconteceu, deixando as duas surpresas. Uma mulher, já com os seus quarenta e tal anos, foi mexer nas palhinhas, sem pedir autorização, tirou o menino e espreitou-lhe a fralda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "Olha deve ser a mãe do Menino Jesus", comentou a Emília. &lt;br /&gt;- "Pois deve ser...". "Este menino tem de ter uma mãe sem ser a Virgem  Maria, não achas Emília?", tentou consciencializar a mãe.&lt;br /&gt;- "Mas deve estar muito orgulhosa do seu filho ser o Jesus do presépio", comentou ainda a Emília. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emília e a mãe aproximaram-se daquela que consideraram ser a mãe da criança. Esta trabalhava sem demora para mudar a fralda ao bebé, para o repor no seu papel sério e responsável de Menino Jesus. &lt;br /&gt;Aproximaram-se cheias de ternura para ver melhor os refegos. E, aguardando por uma minhoquinha a despontar entre as pernas, Emília e a mãe confrontaram-se com uma dura realidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "Mas é uma menina!!!!! O Menino Jesus é uma Menina Jesus! Como pode ser, enganou-nos a todos a miúda!", - disse a Emília, surpreendida.&lt;br /&gt;Enquanto isso, a mãe de Emília ria e a mãe da Menina Jesus sorria, num misto de satisfação e embaraço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é uma ficção daquilo que poderia ter acontecido quando eu representei pela primeira vez. Depois deste ensaio (do qual guardo saudosas recordações) fiz de Maria Madalena para um teatro da escola e ainda de anjo, já não me lembro para que peça. Onde é que isto vai parar? Hum. Mau presságio...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-8819787796920139948?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/8819787796920139948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/8819787796920139948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2011/09/presepios-originais.html' title='Presépios originais'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-5948670233406348369</id><published>2011-09-02T13:45:00.000-07:00</published><updated>2011-09-02T14:06:47.882-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sonho'/><title type='text'>Vale a pena</title><content type='html'>A mensagem principal que retirei de um dos últimos livros que li foi que a escrita de livros não tem outra recompensa que não a alegria e o prazer de o escrever. Outros incentivos ligados à retirada de dividendos ou ao reconhecimento social não passam de quimeras, podem surgir, mas a muito longo prazo. O livro a que me refiro chama-se "Cartas a um jovem romancista" de Llosa, que me foi sugerido por uma das pessoas que se tornou seguidora deste blogue. &lt;br /&gt;Portanto, obrigada Cláudia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, parece ter-se dado um processo de libertação, muito difícil de explicar, mas que se pode resumir numa ação, que espero se venha a exprimir muitas e muitas vezes: escrever, escrever, escrever. &lt;br /&gt;O querer escrever de forma inédita tem-me, reconheço-o agora, impedido de escrever livremente. O medo de errar e a ideia do perfecionismo têm-me emperrado os dedos e a mente. Por isso, mesmo que não seja bonito, ou inovador, aqui vai disto. Fica a intenção, a vontade, a necessidade de viver um sonho antigo e de o tornar realidade.&lt;br /&gt;Sim, sonho publicar um livro. E admiro muito as pessoas que realizam os seus sonhos! E quero admirar-me, ha ha ha!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-5948670233406348369?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/5948670233406348369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/5948670233406348369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2011/09/vale-pena.html' title='Vale a pena'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-7830385289342909402</id><published>2010-11-18T09:43:00.000-08:00</published><updated>2011-09-02T14:14:38.959-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eu'/><title type='text'>A praça para onde vim parar</title><content type='html'>Trabalho no mesmo jornal há quase onze anos. Neste tempo, a minha secretária mudou de lugar uma vez e já tive um computador novo, maravilhoso, de facto.&lt;br /&gt;De resto, tudo se manteve, até a paisagem do lado de fora da janela. Árvores, cujas folhas vão mudando de tonalidade à medida que os meses passam, estão intactas. Vêem-se as janelas superiores dos prédios mesmo em frente e ainda um poste de electricidade. Não vejo, mas imagino – porque sei que lá está – uma praça velha em calçada, uma Igreja de onde sai em procissão Nossa Senhora da Piedade, a padroeira do concelho onde estou, cujo calendário de festas determina viagens de emigrantes. Não raro se veem os olhos húmidos de quem vem e olha o andor magistral da mãe com o filho ao colo, já morto. Tudo naquele andor, a dor da perda, a dor da saudade, a dor maternal de quem acaba de perder o seu filho muito amado. &lt;br /&gt;Da rua, ouve-se o ruído dos carros, os telefonemas do sector de desenvolvimento social da Câmara Municipal, os carimbos dos correios e o folhear dos livros à venda. O choro impaciente das crianças à espera de vez, as máquinas de café a deitar líquido castanho para manter abertos os olhos dos trabalhadores, a conversa dos taxistas à espera do cliente que tarda, a inquietude do ourives que não vende, o pequeno mercado - com a vendedora a fazer renda - que às vezes abre outras não, o talho onde nunca entrei. Apesar de tantos anos volvidos, ainda se sente o contentamento do homem da leitaria que  certa vez viu a sorte. Vinha alegre e deu-lhe para a mão alguns milhares de contos do Totoloto.&lt;br /&gt;Os cheiros às vezes são de terra molhada, outros da secura que se levanta do chão, dos ácidos expelidos da casa-de-banho pública onde fui uma vez e me arrependi. Bom, bom era o alo dos velhos petiscos que se fritavam no óleo usado do “Ri-Te, Ri-Te”. Local sujo, mal frequentado, mas onde comia por 400 escudos arroz, ovo estrelado, costeleta, nos meus primeiros anos de Trevim. A casa abriu nas mãos de gente que nem uma cerveja sabia tirar e nos primeiros dias, claro, eram a troça dos clientes. Como só respondiam, “Ri-te, Ri-te”, lá ficou o nome. Hoje saiu toda a imundice e lá está uma pastelaria, com pão quente, sopas, hambúrgueres, jornais, decoração. É fina, mas não consegue ser tão chic como a casa de chá em frente. Uma verdadeira sala de visitas, onde se vendem infusões raras e se comem doces caseiros, quishes e outras novidades que esta praça nunca poderia imaginar que um dia iria presenciar. Sim, antes de ser o que hoje é, aquele local era impróprio para uma senhora entrar. Não chegava a ser taberna, era muito menos que isso. &lt;br /&gt;Em relação ao tacto, só referencio aqueles cinco euros que pude um dia apanhar do chão e que bem me souberam nas mãos. Ainda olhei para os lados, a ver se alguém me vigiava, mas não. Podia fugir à vontade com a minha pequena fortuna, com a qual ainda paguei uns cafés aos colegas. Um acto raro, mas, enfim, era dia de festa!&lt;br /&gt;Por isso, dos cinco sentidos é o paladar que mais se refastela nesta praça para onde vim parar. Graças ao investimento alheio, se não, creio que pouco se salvava. Talvez a Igreja, que é lugar santo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-7830385289342909402?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/7830385289342909402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/7830385289342909402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2010/11/praca-para-onde-vim-parar.html' title='A praça para onde vim parar'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-7797760504199972440</id><published>2010-11-05T09:30:00.000-07:00</published><updated>2010-11-05T09:49:29.565-07:00</updated><title type='text'>O pequeno maestro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/TNQ1acz3_EI/AAAAAAAAADU/QGp-NQ06JZM/s1600/violino.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 261px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/TNQ1acz3_EI/AAAAAAAAADU/QGp-NQ06JZM/s400/violino.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536108570471824450" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Era a hora do conto em casa da avó Maria. Sempre que a Joana, a Rita e a Raquel passavam as férias na casa de campo, na companhia da avó, o pôr-do-sol era a altura escolhida para ouvir as mil e uma histórias que ela sabia de cor.&lt;br /&gt;Depois das três meninas brincarem à apanhada entre o arvoredo da quinta, prepararam-se sentadinhas no balcão das escadas de pedra da casa para ouvirem a voz melodiosa da mulher de 70 anos, que a vida enrugou, mas que dotou também de ternura e paciência. Agora na reforma de uma vida na cidade, não lhe faltava tempo para dedicar aos netos a atenção que não teve a oportunidade de dar aos filhos.&lt;br /&gt;A voz naquele dia estava de tal forma melodiosa e suave (provavelmente açucarada com o delicioso doce de abóbora que acabara de fazer) que as crianças até comentaram que a avó parecia o violino que ouviram durante a tarde e que tinham combinado, entre as três, aventurarem-se, no dia seguinte, a procurar os dedos que tocavam semelhante música.&lt;br /&gt;A avó aproveitou a deixa e começou a contar uma história de um violino, de um violino gigante e mágico.&lt;br /&gt;Os olhitos das três crianças arregalaram-se ao imaginar um violino muito maior do que a sua estatura e a pesar três vezes mais. Mas o que mais as impressionou foi o facto de ser um violino… falador.&lt;br /&gt;"Pedro tinha quatro anos quando recebeu o violino para brincar com ele. Era em tudo semelhante aos outros, só era muito maior. A criança ficou feliz por ter algo diferente para mostrar aos amigos e também porque, assim, poderia aprender música, um sonho que acalentava desde que nascera", contava Maria.&lt;br /&gt;O quarto do Pedro ficou ainda mais enriquecido. O espaço já estava enfeitado com bonecos de pelúcia, jogos para o computador, aparelhagem, televisão, tudo. Agora, no entanto, tinha algo muito mais especial do que o resto. Tinha um violino gigante.&lt;br /&gt;O tio Osório, que lho oferecera, só conseguiu encontrar tal raridade em Inglaterra, o que para Pedro ainda era mais emocionante. Os pais deste não acharam grande utilidade àquele grande objecto, mas assentiram mesmo assim em colocá-lo no quarto do pequeno.&lt;br /&gt;"Certa noite, Pedro dormia tranquilamente quando começou a ouvir uma voz a chamar por ele. Quanto mais ouvia, mais se embalava no sono e sonhava com paisagens rurais, com jardins, borboletas, flores campestres, passarinhos, um cenário onde gostaria mais de viver do que na cidade que não lhe possibilitava andar ao ar livre".&lt;br /&gt;Entretanto, o violino não só ganha voz, como abre os braços e estende as pernas. Sem acordar Pedro, pega nele ao colo, coloca-o nas suas costas e lança-se pela janela a voar. Foi só com o vento a bater-lhe no rosto que Pedro acordou do sonho bom que estava a ter. Atrapalhou-se de tal forma quando reparou que estava a sobrevoar o céu que se agarrou às cordas do violino para não cair sozinho na noite escura.&lt;br /&gt;"Estás bem?", perguntou o violino. Pedro não conseguia falar, só olhava fascinado para tudo. Entrou no Carnegie Hall, em Nova Iorque, no Royal Albert Hall, em Inglaterra, no Opera, em Paris, no Teatro Nacional de São Carlos, em Portugal e em tantos outros locais de elite, em menos de vinte minutos.&lt;br /&gt;A última imagem que o violino lhe mostrou foi a de um maestro com duas batutas a orientar uma orquestra de passarinhos. "Este és tu no futuro. Vais ser um maestro de grandes óperas, vais encher as salas que viste esta noite comigo, mas o teu passatempo favorito vai ser pegar nas tuas batutas e andares pelo campo, perto das coisas simples da vida a compor as tuas músicas".&lt;br /&gt;A viagem tinha terminado. Pedro e o violino regressaram ao quarto e a criança acordou de manhã cheia de energia. Tinha a certeza que seria músico um dia...&lt;br /&gt;"Avó, achas que é ele que toca o violino que nós ouvimos hoje à tarde", perguntou a Joana, entusiasmada.&lt;br /&gt;"Quem sabe, querida", respondeu Maria, com um sorrisinho maroto. Ela sabia que não podia ser, mas ficava feliz por as suas netas estarem a viver uma infância cheia de fantasias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-7797760504199972440?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/7797760504199972440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/7797760504199972440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2010/11/o-pequeno-maestro.html' title='O pequeno maestro'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/TNQ1acz3_EI/AAAAAAAAADU/QGp-NQ06JZM/s72-c/violino.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-2437613638020841845</id><published>2010-10-22T10:14:00.000-07:00</published><updated>2010-10-22T10:59:13.827-07:00</updated><title type='text'>AUSCHWITZ,  local esquecido pelo sol</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/TMHNuocgNiI/AAAAAAAAADM/uvF5MZjhPJA/s1600/Viagem+Pol%C3%B3nia+111.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/TMHNuocgNiI/AAAAAAAAADM/uvF5MZjhPJA/s400/Viagem+Pol%C3%B3nia+111.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5530928018402326050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Camaratas" em Birkenau. Em cada camada do beliche tinham de caber 10 pessoas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/TMHKviELrMI/AAAAAAAAADE/cilhXxBlUAM/s1600/Viagem+Pol%C3%B3nia+109.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/TMHKviELrMI/AAAAAAAAADE/cilhXxBlUAM/s400/Viagem+Pol%C3%B3nia+109.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5530924735334689986" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Latrinas em Auschwitz-Birkenau. A sua limpeza era considerada um trabalho leve, porque os alemães mantinham-se longe do cheiro e das possíveis doenças&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AUSCHWITZ,  local esquecido pelo sol&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Auschwitz não tem alma. Só lama, frio e imagens grotescas para quem conhece as palavras liberdade e conforto. No sul da Polónia, o local que foi durante a II Guerra Mundial (1939-1944) sítio de tortura, fome e morte de judeus, ciganos, homossexuais, presos de guerra, intelectuais polacos, tornou-se num museu para onde rumam milhares de visitantes por dia. Organizam-se os grupos, os guias (o museu tem mais de 200, entre eles um português), preparam-se os auscultadores, o rádio de comunicação e começam as nossas três horas de visita, no dia 29 de setembro. &lt;br /&gt;Os rostos ganham perplexidade à medida que a realidade das pessoas deportadas para aquele campo de concentração começa a ser explicada e as imagens entram pelos nossos olhos adentro. Foram transportados para o campo judeus vindos da Hungria, França, Holanda, Grécia, Eslováquia, Bélgica, Áustria, Alemanha, Jugoslávia, Itália, Noruega. Relatos de sobreviventes dos campos de concentração nazis contam que, à medida que os dias avançavam, os prisioneiros perdiam a noção de identidade como seres humanos. Para começar, a viagem era, no mínimo, traumatizante. Da casa, de onde eram arrancados de forma brutal e com pouco tempo para fazerem as malas, os "escolhidos" eram levados para comboios de transporte de gado. Os vagões não eram abertos, nem era distribuída água ou comida. As viagens podiam demorar horas ou vários dias. Quem sobrevivesse e entrasse no campo ficava logo despojado de toda a documentação, roupa e bagagem, passando a ser identificado apenas por um número gravado no corpo. Também lhes era rapado o cabelo. Vestiam depois umas calças e uma camisa às riscas e assim tinham de enfrentar a neve. Muitos trabalhadores eram sujeitos a trabalhos esforçados, laborando em fábricas de derivados de petróleo, armas, ou construindo outros campos (como o caso de Birkenau, a três quilómetros do campo mãe de Auschwitz). Na generalidade, todos os deportados iam perdendo o brilho dos olhos, o corpo enfraquecia pelo esforço do trabalho, pela fome, pela doença, pelos maus-tratos e também pelas lutas entre si por caldo ou mais um pouco de pão. A comida, além de ser insuficiente, era sempre do mesmo tipo e pouco calórica.&lt;br /&gt;Sessenta e seis anos depois dos acontecimentos, ainda são conservadas as "provas do crime". Os edifícios contêm hoje objetos pessoais dos prisioneiros que não foram roubados nem destruídos: óculos, malas (ainda com o nome das pessoas), sapatos, próteses, alguma roupa de criança. As jóias não chegaram aos dias de hoje...Uma sala conserva ainda duas toneladas de cabelo que, segundo foi dito, era destinado a fábricas de produção de têxteis. Uma vitrine mostra tranças ainda por desfazer. Entre os blocos 10 e 11 encontra-se o "muro da morte", onde eram executados os desobedientes. O bloco 11 é difícil de visitar. Na cave foram construídas as celas para aqueles que eram predestinados à morte por asfixia, fome ou falta de luz. Na cela por morte de fome, está a vela que o papa João Paulo II, de origem polaca, ofereceu em memória do padre católico Maximillian Kolbe que foi prisioneiro em Auschwitz, voluntariando-se para morrer em lugar de outro prisioneiro. O padre foi canonizado pelo papa em 1982, na presença de Franciszek Gajowniczek, o homem cujo lugar o padre tomou e que sobreviveu aos horrores do campo.&lt;br /&gt;Em Auschwitz, a câmara de gás e o crematório são os últimos lugares a visitar. Pede-se silêncio. A câmara de gás parece demasiado pequena para ter albergado centenas de pessoas que morreram ao mesmo tempo por ação do gás Zyklon B. Um espaço onde se concentraram todas as expetativas em termos de visita e, naquele momento, não há tempo para definir os sentimentos. Confundem-se. A visita é rápida, saímos. Mas as imagens e a incompreensão hão-de ficar, bem como uma maior valorização da vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-2437613638020841845?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/2437613638020841845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/2437613638020841845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2010/10/auschwitz-local-esquecido-pelo-sol.html' title='AUSCHWITZ,  local esquecido pelo sol'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/TMHNuocgNiI/AAAAAAAAADM/uvF5MZjhPJA/s72-c/Viagem+Pol%C3%B3nia+111.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-7954264542707593088</id><published>2010-07-16T08:55:00.000-07:00</published><updated>2010-07-16T08:56:55.311-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Hoje, conto-vos um conto</title><content type='html'>O sábio da floresta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As nuvens do céu e a linha do firmamento estavam sempre no pensamento de Tiago, que era o mais distraído da turma do 5ºD. Encostado a uma das janelas da sala de aula, passava horas a sonhar acordado com possíveis aventuras com os amigos, desde cambalhotas em colchões de algodão a corridas de bicicleta no espaço com fatos de astronauta. Como se costuma dizer, Tiago estava sempre "na lua" e os professores alertavam-no para esse comportamento. Mas, por muito que se esforçasse por olhar para o quadro e copiar o que lá estava escrito, sem se dar por isso, já via as letras a saltarem e a dançarem com ele um corridinho que o faziam sair dali para a sombra de um coqueiro, ao som de merengue na República Dominicana. &lt;br /&gt;Era assim a cabeça de Tiago. Cheia, plena de imaginação, de sítios a explorar, de desejos por realizar. Claro que a mãe Ermelinda conhecia esta característica da personalidade de Tiago e já dizia para si própria e para os vizinhos: "Não é defeito, é feitio".&lt;br /&gt;Num feriado, Tiago aproveitou uma saída rápida da mãe para ir conhecer, finalmente, o bosque que rodeava a sua casa e no qual já tinha imaginado mil e uma figuras estranhas, bizarras, com quem queria até travar amizade. Chegou ao bosque devagar, mas como não tinha muito tempo, ficou-se pela entrada, de onde só pôde ver algumas borboletas, uma ou outra abelha, nada de muito assustador, nem interessante. Regressou a casa desiludido, mas disposto a entrar mais a fundo no arvoredo, assim que tivesse outra oportunidade. &lt;br /&gt;Não pôde esperar pela melhor ocasião.  Desde que chegou a casa que uma sensação forte o empurrava de novo para a floresta. Era uma voz interior, uma espécie de chamamento que o impelia a regressar. Mesmo em pijama, só com um casaco de fato de treino, saiu de casa pelo telhado e embrenhou-se na escuridão. Não tinha medo. Estava muito curioso com as aventuras que podia estar prestes a viver. O som que o chamava tornava-se cada vez mais forte e quanto mais andava, mais espessa ficava a floresta, mais intensos os cheiros e os grunhidos dos animais. Apesar de só conseguir ver aquilo que a luz da lua lhe permitia, estava encantado com toda a envolvência da paisagem. Não sabia para onde estava a ser guiado por algo invisível, mas estava a gostar. Até que, sem saber como, foi ter junto a um castanheiro centenário. Era uma árvore enorme, com várias crateras, que parecia servirem de toca a alguns animais. Cheio de curiosidade, meteu a mão numa dessas aberturas e tocou numa pequena bola, que parecia um berlinde. Agarrou-o na mão com força e tirou-o. &lt;br /&gt;Vendo-se livre de cem anos de escravidão, o berlinde começou aos saltos, rodeando o corpo e a cabeça de Tiago de tal forma que este ficou completamente baralhado. Quando levantou a cabeça, deparou com um ser verde, com antenas, orelhas enormes e pontiagudas, olhos miudinhos e uma boca completamente desdentada. Era um ser estranho, mas um ser que ele queria conhecer. &lt;br /&gt;- Olá Tiago, eu sei o teu nome, porque eu vejo tudo o que se passa no mundo, sei que sonhas acordado, conheço a tua família e os teus amigos. Puseram-me aqui porque sabia todos os segredos da humanidade e consideravam-me perigoso. Tu que me libertaste, podes-me fazer uma pergunta, mas só uma, sobre o mundo que nos rodeia. Eu sou um sábio...&lt;br /&gt;Tiago olhou para a figura e pensou em mil e uma questões possíveis: quantas estrelas há no céu, o que há além das nuvens, quantos cabelos os seres humanos têm na cabeça, mas tinha de ser esperto para fazer uma pergunta, cuja resposta lhe fosse útil para a sua vida. Depois de pensar muito, decidiu-se por uma.&lt;br /&gt;- Sábio, o que é que eu venho fazer à terra?&lt;br /&gt;- Como, o que vens fazer à terra?&lt;br /&gt;- Sim, o que venho fazer à terra!&lt;br /&gt;O sábio tossiu, engasgou-se, já não era verde, tinha ficado roxo. Um menino tão pequeno tinha-lhe feito uma pergunta à qual ele não sabia responder. Ele não previa o futuro, só sabia o passado e o presente. Face ao silêncio do sábio, Tiago adiantou a conversa.&lt;br /&gt;- Sabes, eu gostava de voar, mas não tenho asas. Gostava de viajar muito, mas não tenho idade, nem dinheiro. Depois, sou obrigado a ir à escola aprender, mas eu preferia aprender de outra maneira. Queria que falássemos sobre  o Egipto e, num toque de mágica, entrássemos nas pirâmides e pudéssemos ver, tocar. Assim, não sou muito feliz - disse, entristecido.&lt;br /&gt;O sábio, que tinha uma vez lido num livro que "o caminho se faz caminhando" disse ao menino que só ele próprio podia responder a essa questão, procurando, experimentando, vivendo com intensidade, descobrindo, a cada passo, o mais fundo do seu ser e o trajecto da sua própria felicidade.&lt;br /&gt;Tiago não percebeu muito bem a resposta, mas talvez um dia compreendesse. Regressou a casa a pensar naquela figura tão pitoresca que ficou presa numa árvore tantos anos. O sábio, por seu lado, deixou-se ficar na floresta, para aprender ainda mais sobre a humanidade, porque, afinal, ainda tinha muito para conhecer, sobretudo sobre as crianças. Na sua oração, agradeceu ao Tiago a libertação e a lição de vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-7954264542707593088?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/7954264542707593088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/7954264542707593088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2010/07/hoje-conto-vos-um-conto.html' title='Hoje, conto-vos um conto'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-2710262162382391004</id><published>2010-06-21T07:53:00.000-07:00</published><updated>2010-06-21T08:22:48.245-07:00</updated><title type='text'>O feitiço</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/TB-CwxIzKlI/AAAAAAAAAC0/jEv2du6vNnM/s1600/c%C3%A3o+e+gata+1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 307px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/TB-CwxIzKlI/AAAAAAAAAC0/jEv2du6vNnM/s400/c%C3%A3o+e+gata+1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485246645496130130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"O amor não é contemplarmo-nos um ao outro, mas olharmos juntos na mesma direcção"&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-2710262162382391004?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/2710262162382391004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/2710262162382391004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2010/06/o-feitico.html' title='O feitiço'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/TB-CwxIzKlI/AAAAAAAAAC0/jEv2du6vNnM/s72-c/c%C3%A3o+e+gata+1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-8300709958539992362</id><published>2010-06-19T13:51:00.000-07:00</published><updated>2010-06-21T07:53:09.240-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Saramago'/><title type='text'>Saramago regressa à pátria</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/TB00TlyT7yI/AAAAAAAAACs/vZJ8zpTpH-s/s1600/jose-saramago%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 287px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5484597432372424482" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/TB00TlyT7yI/AAAAAAAAACs/vZJ8zpTpH-s/s400/jose-saramago%5B1%5D.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;Saramago,&lt;br /&gt;Um homem muito à frente do seu tempo. Incompreendido, inconformado, insubmisso, manteve-se fiel à sua verdade. Uma verdade que procurou transpor para a sua escrita, provocando o leitor e levando-o a reflectir sobre a condição humana, a relação do homem com os poderes instituídos, nomeadamente o Estado e a Igreja Católica. E Deus, onde está Deus na obra de Saramago? &lt;br /&gt;Deus é uma linha transversal a toda a sua obra, como se o ateu procurasse uma resposta para a transitoriedade da vida terrena. Como que esta vida não fosse suficiente, não o satisfizesse por completo. Chamou a Deus todos os nomes possíveis, mas provavelmente nunca nenhum ateu procurou/estudou/analisou tanto uma divindade como este homem serralheiro, dramaturgo, poeta, jornalista, escritor. Um homem ligado à terra, à sua terra natal e também à terra, àquela terra de onde nascem as árvores, que abraçava para sentir o seu pulsar.&lt;br /&gt;Quase expulso da sua pátria pela sua escrita subversiva e atentatória da moral religiosa, católica e romana, nunca se vingou. Nem na hora da morte. Quis que todas as suas cinzas ficassem na sua terra mãe: Portugal. Saiu quase deserdado pelos Governo de Cavaco Silva e foi repatriado, depois de morto, com honras de Estado, com direito a dois dias de luto nacional. Um luto decretado pela mesma pessoa que o proibiu em 1991 de participar com o seu livro "Evangelho Segundo Jesus Cristo" num concurso literário internacional. Uma vergonha, se pensarmos que essa mesma pessoa, duas décadas depois, aprova a lei que permite o casamento entre homossexuais. Então e agora, os católicos defensores da família e dos bons costumes, não pesaram na decisão? Será que a sua ausência nas cerimónias fúnebres de Saramago significam coerência, ou falta de humildade? Perante um corpo inofensivo, já estéril e inútil, sem vida, Cavaco Silva não foi capaz de fazer uma vénia pelo tamanho da sua dignidade enquanto ser humano? Saramago demonstrou que Portugal nunca saiu do seu coração e, no entanto, era o governo espanhol que o tinha no peito. Um funeral de Estado sem o chefe máximo desse Estado presente é como uma abóbora do tamanho de uma azeitona: absolutamente anormal. &lt;br /&gt;Neste texto, sinto um nervoso miudinho e um desejo de inovar nesta arte tão difícil de alinhar as letras umas atrás das outras, com sentido. Um sentido para mim e para os outros. Saramago foi exímio nessa tarefa e gostei de ter sido contemporânea de um homem inovador, que ombreia com Eça de Queirós, Camões e Fernando Pessoa no seu legado literário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-8300709958539992362?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/8300709958539992362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/8300709958539992362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2010/06/saramago-regressa-patria.html' title='Saramago regressa à pátria'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/TB00TlyT7yI/AAAAAAAAACs/vZJ8zpTpH-s/s72-c/jose-saramago%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-482820784576389939</id><published>2010-04-29T03:20:00.000-07:00</published><updated>2010-04-29T03:31:27.403-07:00</updated><title type='text'>Olhos azuis, cabelos louros</title><content type='html'>Talvez aqueles olhos que me fixaram o olhar não me quisessem dizer nada em concreto. Mas eu interpretei-os. E a mensagem foi verdadeiramente real e importante. A história é simples: a criança de olhos azuis e cabelos louros olhou-me fixamente e contou que quando me tinha ido buscar no Natal - altura em que eu não tinha transporte - teve medo do cão, o Nininho. Mas naquele dia, na Páscoa, não tinha medo, ao contrário. Queria por tudo levar o cão pela trela a passear pela rua.&lt;br /&gt;Não passou de um episódio contado por uma criança que me olhou. Para ela, terá sido banal. Para mim, que desci ao fundo dos seus olhos, foi uma experiência nova. Desde que a fixei, não perdi o rasto ao azul dos seus olhos. Quando a olhei e mergulhei no seu mar e descobri a beleza da sua inocência de criança percebi uma das minhas missões terrenas: olhar fixamente nos olhos, sem desviar, para perceber exactamente o que eles me querem dizer. A mensagem pode ser complexa e indecifrável, mas os ganhos, mesmo assim, serão plenos. &lt;br /&gt;Os olhos têm cor, profundidade, memória. Os olhos podem ser frios e quentes, aveludados ou lisos, profundos ou deslavados. Os olhos não dizem tudo, mas dizem muito. Reflectem o medo, a insegurança, a certeza, o amor, a raiva e não escondem nunca a felicidade. Nessas alturas brilham como as estrelas do céu e guiam os enamorados na noite escura. Repetem a vivacidade de quem os ostenta e são um sinal de morte quando se apagam, literalmente, ou só como reflexo da alma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-482820784576389939?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/482820784576389939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/482820784576389939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2010/04/olhos-azuis-cabelos-louros.html' title='Olhos azuis, cabelos louros'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-4715749566168748446</id><published>2010-03-02T11:18:00.000-08:00</published><updated>2010-03-02T11:40:12.698-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eu'/><title type='text'>Banalidades</title><content type='html'>Estou a ficar como as novas gerações... Chegam a casa, nem pai, nem mãe, nem os irmãos, nem amigos para brincar na rua e, então, Internet. E, como tenho tanto e nada ao mesmo tempo para escrever, vou debitar qualquer coisinha, para não cair na tentação, que é vestir o pijama e saltar para a cama, para ler, ver televisão e depois fechar o livro e ficar a ouvir o som da TV a sussurrar enquanto eu já ressono.&lt;br /&gt;Pois bem, a parte do pijama já está adiantada. Aliás, é um dos meus prazeres terrenos: chegar a casa e vestir o pijama e poder permanecer assim até ir dormir, sem ninguém que me chateie a moleirinha. Outro prazer é não ter ninguém que me domine o tempo: posso parar de escrever, vestir-me, pegar no carro e sair, ir até onde me apetecer, que tal não vai influenciar a vida de ninguém. À excepção da minha amiga de casa que vai jantar sozinha. Mas como às vezes também janta, a diferença não é muita. A questão de fundo é que o excesso de liberdade é fantástico, mas ao mesmo tempo aterrador. Posso fazer o que quero, mas, por outro lado, quando os outros não estão, fico a pensar naquilo que hei-de fazer. Há sempre imensas possibilidades como ler, escrever, dançar, ver televisão, navegar na Internet, ver um filme, tudo programas que as mulheres cheias de compromissos gostariam imenso de fazer. No entanto, quando já se fez isso tudo, sobra tempo. E o que fazer a esse tempo que sobra? É aí que durmo? Mas quê, durmo porque tenho sono ou para esquecer que a minha existência é muito vazia de pessoas? &lt;br /&gt;Mas adiante. Dia 20 vamos limpar Portugal, já se inscreveram? Já doaram qualquer coisa para o Haiti, o Chile e a Madeira? E já fizeram alguma coisa pelo vizinho do lado? E por vocês próprios, o que fizeram hoje? Eu vou tratar de fazer algo por mim, hoje. Ainda não sei bem o quê.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-4715749566168748446?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/4715749566168748446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/4715749566168748446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2010/03/banalidades.html' title='Banalidades'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-7005163748578669051</id><published>2010-02-09T06:15:00.000-08:00</published><updated>2010-02-09T06:55:16.747-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eu'/><title type='text'>Pilhas Duracell</title><content type='html'>Para 2010, tive apenas um desejo que, para mim, significaria o ponto de partida para a realização de todos os outros. E confesso que, até hoje, já o consegui realizar. Claro que há dias em que tenho recaídas, mas faz tudo parte do processo de mudança. O desejo não é difícil de adivinhar: se virmos que durante imensos fins-de-semana dormi muito, por diversos motivos, em 2010 os meus sábados e domingos têm sido uma azáfama, tipo mãe de família. Na hora de mudar as fraldas e calar as crianças, leio ou vejo um filme. De resto tem sido igual. Faço as minhas obrigações domésticas e até algumas da minha amiga de casa. Eu detesto passar a ferro e, além de passar a minha roupa, propus-lhe passar a roupa que ela queria concessionar à instituição para a qual trabalha. Eu fiz-lhe um melhor preço e passei-lhe o vestuário de Inverno e Verão. Também lavei a garagem, uma tarefa que pertencia a todos os condóminos, mas que, por adiamentos sucessivos, ainda ninguém tinha tomado a dianteira. Eu, com baldes de água, fiz aquilo que as pessoas com mangueira não se predispuseram a fazer. Limpei a casa do meu pai num sábado, embora a tarefa tenha ficado a meio...&lt;br /&gt;Na realidade, o que andei a fazer foi a gastar energia acumulada. Enquanto não conseguir abraçar desafios intelectuais (como escrever um livro)vou procurar despender energias físicas. E foi, de facto, isso que eu pedi para este ano: energia para trabalhar e para viver com outra intensidade. &lt;br /&gt;Às custas desta nova filosofia e vontade de aproveitar a vida, fiz algo impensável para mim: entrar em patins numa pista de gelo. Já o fiz duas vezes e foi absolutamente divino. Claro que estive com a minha família, em que pais e filhos partilharam o mesmo espaço, com as meninas em clara vantagem em relação às mães e tias. Mas, com o tempo isto vai. Confesso que me senti radical, embora tenha ouvido comentários indecentes: "por esse andar ainda dá uma volta à pista"... "você tem que deslizar"...Isto naquela fase em que eu estava agarrada ao corrimão de tal forma que os braços ficaram com marcas vermelhas. Agora já consigo libertar-me do corrimão e, engraçado, o pontapé de saída para arriscar foi uma queda brutal. Rabo no chão, joelho esmurrado, cabeça atordoada. Só senti toda a gente a olhar para mim e a pensar que eu iria desistir. A professora perguntou-me se eu estava bem e, claro, que eu estava bem, era óbvio que sim...E percebi, para se chegar longe é preciso cair. A partir daí fui para o meio e deslizei um pouco. Foi uma sensação de libertação de todas as estúpidas amarras que me entorpecem a vida.&lt;br /&gt;Sinto-me renovada, espero que este sol dure!&lt;br /&gt;Obrigadão à minha família, foi muito divertido!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-7005163748578669051?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/7005163748578669051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/7005163748578669051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2010/02/pilhas-duracell.html' title='Pilhas Duracell'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-8240671817992769231</id><published>2010-02-09T05:57:00.000-08:00</published><updated>2010-02-09T05:59:13.406-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eu'/><title type='text'>Da mestria de um cão e da minha irresponsabilidade</title><content type='html'>O dia estava lindo, o sol convidava a um passeio matinal pelo bosque. Fato de treino, sapatilhas, trela e cão. Percorremos o nosso trajecto normal até chegar à floresta. Como o canídeo começou a cheirar aqui e ali, decidi tirar-lhe a trela e deixá-lo a farejar. E fui à minha vida.&lt;br /&gt;Sim, fui à minha vida. Numa atitude irresponsável,  deixei o cão à sua sorte e passeei por onde quis. Desapareci. Quis ir descobrir os trilhos que sabia existirem por aquela zona, mas que nunca tinha explorado. Andei mais rápido que o normal, porque também ando numa de querer perder peso. Desci o monte e, para aproveitar o piso seco, aventurei-me por caminhos utilizados por amantes do BTT. De vez em quando, lembrava-me do cão e pensava que ele estaria a farejar, divertido, e que eu iria chegar ao local onde o deixara e ele estaria lá e viria a correr ao meu chamamento. Depois, surgiu-me aquele pensamento de que provavelmente podia não ser bem assim e eu estaria condenada por amigos e por mim própria para sempre, caso acontecesse alguma coisa. Um pouco contrariada, decidi voltar para trás. A minha aventura tinha de terminar. Fiz marcha atrás, à medida que andava, todas as probabilidades acossavam-me a mente. Sobretudo, que a minha amiga de casa, (que adora o cão) não me perdoaria.&lt;br /&gt;As minhas preocupações agravaram-se quando cheguei ao local do "abandono". Era óbvio que o cão não estava lá e eu nem queria acreditar na minha ingenuidade. Chamei muitas vezes por ele, cheguei a confundi-lo ao longe com outro cão,  também com uma cauda volumosa como ele, tal era o meu desespero. Como não estava por ali, tive de ganhar forças para ir à estrada ver se o via. Olhei para um lado e para o outro e fiquei aliviada porque, pelo menos, não estava esticado no asfalto, nem nas bermas. Caso estivesse, havia uma clínica veterinária perto, mas acho que as minhas pernas ficariam repentinemente sem forças para o levar lá. Pensei em ir a casa buscar uma vassoura para ir arredar as silvas do bosque numa tentativa louca de encontrar o "Nino". Eu estava consciente que ele podia desaparecer por alguns dias e voltar, que poderia desaparecer e nunca mais voltar, pensei em pôr um anúncio no meu jornal com uma foto dele e aguardar. Enquanto isso, teria de dar a notícia fatal à minha amiga de casa, o que seria um choque não tanto pelo desaparecimento do cão, mas sobretudo pela minha (i)responsabilidade no caso. Enquanto eu estava verde e rouxa ao mesmo tempo, com o sangue a latejar nas têmporas e o coração a palpitar, o "Nino" aguardava placidamente por mim à porta do prédio.&lt;br /&gt;Estava no sítio certo. Ele estava contente, mas não tanto quanto eu. Abraçei-o e dei-lhe mais beijos como nunca tinha feito e percebi: eu abandonei-o, mas ele não me abandonou. Deu-me uma lição e ganhou uma amiga para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada, Nininho!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-8240671817992769231?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/8240671817992769231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/8240671817992769231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2010/02/da-mestria-de-um-cao-e-da-minha.html' title='Da mestria de um cão e da minha irresponsabilidade'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-337529369121606190</id><published>2009-12-10T15:17:00.000-08:00</published><updated>2009-12-10T15:49:53.674-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eu'/><title type='text'>A estrada da vida</title><content type='html'>Para uns a estrada da vida é longa, para outros é curta, curtíssima. Muitas vezes penso que a minha estrada será longa, é uma presunção, com certeza. A ideia de que os males do mundo não me vão afectar tão cedo é mesmo uma vaidade pessoal, que vou alimentando. Por vezes, penso que tenho um anjo da guarda poderosíssimo que mete umas cunhas ao Menino Jesus para eu sobreviver a mais uma viagem de carro ou a mais uma caminhada a pé, às vezes à noite. Tenho aquela ideia que tenho de viver, porque devo ter algo importante a fazer na terra. Fernando Pessoa perguntou, certa vez: "Que homem de génio não é obcecado por um sentido de missão?".&lt;br /&gt;Interessante esta frase. Não tenho a pretensão de ser uma pessoa de "génio", mas questiono-me quase diariamente sobre qual será a minha missão terrena. Todos nós a temos, todos sem excepção. Isso eu tenho a certeza. Agora, a minha qual é? Estou perto ou longe dela? &lt;br /&gt;Como sou uma pessoa naturalmente desmotivada para os meus afazeres, sinto que o que faço não é a minha missão. Pode fazer parte dela, pode ser um possível caminho, mas não é "a obra", aquela que me vai trazer realização, aquela que vai ter utilidade social.&lt;br /&gt;Não vejo com negatividade estas dúvidas. É como se estivesse a atravessar uma ponte movediça, pouco segura, que me deixa inquieta. No entanto, sei que, quando chegar ao outro lado, a resposta há-de lá estar, escondida talvez! Para a encontrar terei de trabalhar, interiormente provavelmente, mas trabalhar. Algo tão importante como o sentido da vida não me podia ser dado de mão beijada...embora por vezes sinta que as respostas às minhas questões estão à minha frente, era só prestar a devida atenção. &lt;br /&gt;Também a respeito do sentido da vida, li certa vez a seguinte frase: "se não sabes o sentido da vida, começa a fazer coisas que façam sentido". A ideia é boa, a intenção é óptima, o pior é arregaçar as mangas e pôr mãos à obra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-337529369121606190?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/337529369121606190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/337529369121606190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/12/estrada-da-vida.html' title='A estrada da vida'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-7814154420364867506</id><published>2009-11-13T05:56:00.000-08:00</published><updated>2009-11-20T08:08:59.695-08:00</updated><title type='text'>A precisar</title><content type='html'>No meio de tantos trabalhos que requerem objectividade e vocabulário directo e incisivo, tenho de fazer uma pausa para ver se a dor de cabeça se vai embora.&lt;br /&gt;Ficam, desde já, a saber que este tipo de escrita intimista ajuda a espairecer. Mas não é este o assunto que vos trago hoje e que andei a adiar durante dias.&lt;br /&gt;Não é cómico e fala até de solidão e de erros. Está, por isso, na linha dos anteriores artigos.&lt;br /&gt;Se me questionassem sobre se estou arrependida de algo que tenha feito ou deixado de fazer, digo que me arrependi de muitas que não fiz e, pelo menos uma que tenha feito. Estudar demasiado!&lt;br /&gt;Até dói quando penso que, no ensino secundário, me levantava às 6:30 da manhã para apanhar o autocarro às 7:05, me lavava à gato, comia uma maçã, cujo caroço colocava atrás da paragem do autocarro. No final da semana, havia uma filinha de caroços, para quem os quisesse contar. Ainda era de noite quando saía de casa. Frio, acho que não tinha, embora o Inverno fosse extremamente rigoroso. Sei que tinha sempre as mãos geladas, cheias de frieiras. As aulas começavam às 8:00 e estava sempre na fila da frente. Anotava tudo o que os professores diziam, passava os intervalos na biblioteca, ou na reprografia. Menos aquele intervalo em que ia ao bar comprar um bolo, a meio da manhã. Era magra que nem um esqueleto. Tinha os meus 47 quilos, que se mantiveram até aos 18. Depois de um dia inteiro de aulas, chegava a casa às 19:00, lanchava e depois ia logo estudar. A minha mãe fazia o jantar, eu comia, e depois ia estudar até à meia-noite. Tivesse teste ou não, trabalhos de casa ou não, esta era a minha vida, olhar para os livros, muitas vezes sem ver nada. Fui bem sucedida em termos de notas e de média para entrar na universidade, atingi os meus objectivos a esse nível, mas descurei outras facetas: os outros, a amizade, a família...&lt;br /&gt;Tenho reflectido muitas vezes sobre se a atitude de excessivo estudo foi ou não um erro. Durante algum tempo pensei que não. Desculpava-me sempre com aquela história de que, naquela altura pensava que estava fazer o melhor para mim. Contudo, as conversas que não tive, a companhia que não proporcionei aos outros fazem-me reflectir.&lt;br /&gt;Esta reflexão vem a propósito de uma experiência vivida num destes dias de Outono em que eu estava na cozinha da minha casa da Lousã e estava a precisar de companhia. Durante o jantar, tive-a. Depois, a minha amiga Verónica levantou-se, dizendo que tinha de ir continuar o trabalho que estava a fazer. Aquela atitude fez-me regressar aos anos em que eu tomei a mesma atitude, deixando pais e irmãos à sua sorte, muitas vezes só consigo próprios.&lt;br /&gt;Depois de ver que o meu esforço não teve as consequências monetárias que eu gostaria, questiono-me se verdadeiramente terá sido a melhor opção. E, hoje, creio que não foi.&lt;br /&gt;Podem dizer: se calhar não conseguirias entrar no curso que pretendias! Sim, mas, como eu queria Jornalismo, podia ter entrado numa Escola Superior para o curso de Comunicação e o resultado era, que vos digo, o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posto isto, têm alguma solução para mim?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-7814154420364867506?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/7814154420364867506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/7814154420364867506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/11/precisar.html' title='A precisar'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-860225127238205367</id><published>2009-11-08T15:15:00.002-08:00</published><updated>2009-11-08T16:24:50.557-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eu'/><title type='text'>Muros</title><content type='html'>Os 20 anos da queda do Muro de Berlim sugerem-me um pequeno murinho, construído em tempos de cólera no pátio traseiro da casa de Vila Nova de Tazem, que era um espaço que dividíamos com os meus tios. Maria José, irmã da minha mãe, e marido, Joaquim, ex-sapateiro.&lt;br /&gt;Como nota introdutória, apenas explicar que a guerra entre nações pode ter a sua génese no interior de uma só pessoa. Engraçado, na altura em que o muro no pátio da casa onde vivi foi erguido, o ódio germinava em mais de uma pessoa. Não sei as causas que levaram o meu tio a pegar em tijolos e começar a fazer um carreiro para "dividir" territórios. As relações não eram as melhores, de facto, e volta e meia as duas irmãs chateavam-se por causa de pormenores. Mas com o meu tio, a coisa foi mais feia, tendo até ele dito que nunca mais entraria em minha casa. Promessa que quebrou às seis da manhã do dia 1 de Novembro de 1999 que, ouvindo os gritos, se dignou entrar pela porta de madeira e vir cumprimentar-nos.&lt;br /&gt;Lembro o meu ar de espanto a olhar os tijolos, sem perceber nada. Não sei se, timidamente, lhe terei dito "bom dia" ou "boa tarde", ou se pura e simplesmente não o cumprimentei. (A minha antipatia e tendência para poucas falas vem de longe) Ele não morria de amores pelas sobrinhas por afinidade, mas a minha tia, apesar das divergências, via em nós os filhos que nunca teve.&lt;br /&gt;Aquele pequeno muro, patético, no meio do pátio, só serviu para estorvar. Ao longo dos anos, as ervas daninhas começaram a crescer pelos tijolos e hoje, com a casa desabitada - os meus tios já partiram - chegam a atingir quase dois metros de altura. &lt;br /&gt;Na realidade, quando as pazes se fizeram com a minha tia - mulher sofrida que não tinha a quem confessar as ofensas de que era vítima por parte do marido - a septuagenária tinha dificuldades em passar por aquele obstáculo. Visitar a irmã (minha mãe) adoentada ou ver-nos quando íamos de fim-de-semana a casa, vindas da faculdade, era das suas poucas motivações. As nossas alegrias eram as suas. Apesar de ter uma preferenciazinha pela minha irmã Sofia - por mérito dela e demérito meu -, conseguimos entender-nos (e creio que ela me passou a valorizar mais) quando esteve internada em Coimbra, na nefrologia e eu a ia ver. Exorcizei alguns dos meus demónios antigos em relação a ela (não esqueço um dia em que ela me foi oferecer uma colcha para o meu enxoval e ma foi pedir depois de uma zanga com a minha mãe. O que fiz eu? Entreguei-lha, claro! Aliás, eu não lhe tinha pedido nada). &lt;br /&gt;Estas são mesquinhices do nosso quotidiano. Quando, no fim da sua vida, a via, de cabelo grisalho - que se confundia com os lençóis brancos dos HUC - com a barriga inchadíssima, as pernas negras, sem puderem dar um passo, a dizer-me para ir buscar um vestido dela ao guarda-fatos, em delírio, questionei-me se teriam valido a pena todos os problemas que dividiram as duas famílias, as preocupações com as heranças, o dinheiro. Valeu a pena? Eu não tenho resposta para esta questão. Pela minha parte, sou sincera. As preocupações criaram-lhe rugas. Mas o facto de ela ser poupada, trouxe-me alguma felicidade. Sempre que ela desembrulhava um lenço e saía de lá, por magia, uma nota de cinco contos, os meus olhos cintilavam. Eu ainda dizia que não queria, mas estava ansiosa para fortalecer o meu frágil pecúlio.&lt;br /&gt;Ao escrever estas memórias ocorre-me um pensamento muito particular, que nunca tinha passado pela minha cabeça. Se um dia acabar numa cama de hospital, morro como vivi: de uma maneira simples. Mas mais rica: com a aprendizagem do sofrimento provocado por uma doença. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos meus poucos leitores fiéis, prometo que o próximo post será cómico. Acreditam? Eu nem por isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-860225127238205367?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/860225127238205367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/860225127238205367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/11/muros.html' title='Muros'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-6332785756572170176</id><published>2009-11-01T15:18:00.000-08:00</published><updated>2009-11-01T16:27:02.447-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eu'/><title type='text'>Confissão</title><content type='html'>Recordo baixinho&lt;br /&gt;Quase silenciosamente,&lt;br /&gt;O calor do teu regaço de linho&lt;br /&gt;Quando me embalavas candidamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Envolta em teus braços,&lt;br /&gt;Afagavas-me com carinho,&lt;br /&gt;Beijavas-me pedaço a pedaço&lt;br /&gt;Em teu regaço de linho &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anjos levaram teu corpo&lt;br /&gt;Mas tua alma ficou estendida&lt;br /&gt;Na memória adormecida&lt;br /&gt;Deste ser quase morto &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, agora acordado,&lt;br /&gt;Me recordo muito bem&lt;br /&gt;Do regaço de linho bordado&lt;br /&gt;Do teu colo, minha mãe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------&lt;br /&gt;Dez anos depois, a vida ainda é insípida, incolor e inodora. Ainda me arrasto, na penumbra dos dias e na vigília das noites,procurando na lembrança o som da tua voz, o calor do teu abraço e o sabor dos momentos partilhados. Eu era feliz e não o sabia. A tua ausência obrigou-me a encarar uma nova realidade e a perceber que ainda era mais frágil do que pensava. O pilar quebrou, busquei forças interiores e deparei-me com o vazio. O nada por dentro, o pouco por fora. Os ombros amigos não foram suficientes para me segurarem. Culpa minha, sei-o agora. Não soube alimentar amizades, daquelas que valem a pena.&lt;br /&gt;Hoje estou a começar a construir as minhas próprias estruturas de apoio, mas precisei de amigos verdadeiros para chegar a este patamar. Felizmente, eles apareceram na minha vida. Estou muito grata por isso e posso dizer que hoje sou a síntese entre aquilo que os meus amigos me ensinaram e o crescimento que resultou da dor de uma perda. Louca, senil, obcecada, patológica? Tenho perfil para todas estas "anormalidades" todas e muitas mais. Escrevo-o, sem preconceitos, sobretudo porque estou convencida que o mundo pertence aos corajosos, aos assumidos. Aqui, assumo a minha fraqueza, a minha sensibilidade, talvez em dose elevada. Mas a todos prometo uma coisa: eu vou descobrir a minha missão terrena e atingir a felicidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada aos que têm a paciência de me lerem. Serão esses os únicos que se importam comigo, ou é preciso as pessoas gostarem de ler para me lerem?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-6332785756572170176?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/6332785756572170176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/6332785756572170176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/11/confissao.html' title='Confissão'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-2063341346634347226</id><published>2009-10-18T15:22:00.000-07:00</published><updated>2009-12-16T09:17:09.981-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eu'/><title type='text'>Os meus pais</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/SykWCOpbppI/AAAAAAAAACk/8Wty3i6X9WQ/s1600-h/img075.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 286px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/SykWCOpbppI/AAAAAAAAACk/8Wty3i6X9WQ/s400/img075.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415884254437156498" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes fala-se de África como sendo um vício difícil de explicar. Quem vive neste continente, ou emigrou para lá, não consegue deixar de recordar os tempos felizes que questões políticas roubaram aos portugueses e, de certa forma, também aos africanos.&lt;br /&gt;Deixando de lado o problema do racismo (ou a ideia de que os brancos tratavam mal os negros, é algo de que não tenho provas...), quero apenas explicar que ultimamente tenho sentido um chamamento inexplicável para descobrir África, as suas riquezas e cultura, mas sobretudo as vivências dos portugueses. Acho que, de alguma maneira, estou a tentar descobrir o passado dos meus pais que, como muitos, rumaram a Angola em busca de uma vida melhor. Encontraram-na e foram forçados a abandoná-la. São retornados. No fundo, sei que estou à procura de saber o porquê de determinados comportamentos e também a razão da minha infância ter sido como foi. Os meus pais conseguiram ter uma vida estável em Angola. O meu pai era condutor dos autocarros (machimbonbos), a minha mãe, doméstica. Os meus quatro irmãos mais velhos têm fotos em criança que mostram o quanto estavam bem vestidos, sobretudo a minha irmã Mizé que usava umas roupinhas muito engraçadas, cheias de folhos. Eu já não tive isso: nem álbum fotográfico, nem vestuário bonito. Mas não fui a única: a minha irmã do meio acompanha-me nesta realidade. Os meus pais viviam nuns anexos e alugavam uma casa a um casal de Aveiro, com quem mantiveram uma amizade genuína até hoje, embora sejam de religiões diferentes.&lt;br /&gt;Sabem, depois de virem de África, a vida dos meus pais mudou radicalmente, sobretudo porque o meu pai tentou a sua sorte na Venezuela e teve um acidente de trabalho que o condenou a uma reforma precoce por invalidez. Não foi o facto da abundância ter dado lugar à escassez quando abandonaram África (ou África os abandonou a eles), mas abriu caminho ao acidente de trabalho que, sabe-se lá, poderia ter sido evitado (ou não). Depois de regressar a Portugal e de ter sido operado (esta parte não sei bem, porque foram acontecimentos ocorridos antes de eu nascer e hoje em dia não se fala deles) dedicou-se à vida do campo. Entretanto, a minha mãe engravida uma vez -nasce a minha irmã Sofia - e outra, nasço eu. É normal que chore, não é? Sem dinheiro, com mais uma criança na barriga, eu provavelmente teria feito o mesmo. &lt;br /&gt;Entretanto, os sonhos dos meus pais ficaram não sei onde. A televisão a cores, a carrinha para a agricultura, a máquina de lavar e outras mordomias foram conseguidas graças à ida (ironia do destino) dos meus irmãos mais velhos para o Zaire... As suas vidas davam obras de vários volumes, mas isso teriam de ser eles a escrever, que eu não sei da missa a metade. &lt;br /&gt;Com este texto, que escrevo com o coração nas mãos, apenas quero prestar uma homenagem aos meus pais pelo que sofreram e tiveram de abandonar em Angola. (São comoventes os relatos de algumas pessoas que passaram pelo mesmo no livro "A Balada do Ultramar" que estou a ler). Quero sobretudo reconhecer a coragem que tiveram para criar os seus filhos, ultrapassando imensas dificuldades, alimentando-se mal, deixando para trás a remodelação tão desejada do andar superior da casa de Vila Nova de Tazem. Mesmo sem obra física, deixam um património humano inestimável: seis filhos. Eu, dificilmente, legarei tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um forte abraço amigo,&lt;br /&gt;Maria João&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A foto é a minha mãe com dois filhos à espera...A imagem foi retirada do livro "Os Retornados" de Júlio Magalhães. Para mim é ela, mas não tenho a certeza absoluta. No meu coração é ela e a coincidência é impressionante. No meio de tantas famílias e multidões o fotógrafo captou a minha mãe. Mais de 30 anos mais tarde, eu, que ainda não tinha nascido na altura, tive acesso a esta foto por casualidade, ou não! Há coisas que nos vêem ter às mãos sem percebermos como.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-2063341346634347226?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/2063341346634347226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/2063341346634347226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/10/os-meus-pais.html' title='Os meus pais'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/SykWCOpbppI/AAAAAAAAACk/8Wty3i6X9WQ/s72-c/img075.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-5347006878885107132</id><published>2009-10-03T18:11:00.000-07:00</published><updated>2009-10-03T18:24:35.532-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eu'/><title type='text'>Crescimento</title><content type='html'>A criança que fui está a precisar de crescer. Todos os episódios da minha infância aqui descritos serviram de alguma maneira para me libertar das saudades desse tempo. De um tempo que, ainda há duas semanas, disse que tinha sido o mais feliz da minha vida. Apesar de todas as privações por que passei e de não me recordar de gargalhar e de rir, eu era feliz, porque me via assim. Tinha o principal: a presença e o carinho da minha família, sobretudo da minha mãe. Embora a minha infância tenha ainda muito para esmiuçar, a criança que fui parece estar a querer crescer. Por vezes, esqueço-me da idade que tenho. E agora, digo-vos um segredo: às vezes apetece-me comprar o que não tive na minha infância, como se a minha criança fosse carente e ainda não estivesse satisfeita. Sei que enquanto não crescer, não conseguirei fazer plenamente felizes outras crianças.Por isso, aqui vais mais um desejo para 2009: convencer-me que já tenho 32 anos e que me devo libertar da vontade de, por vezes, olhar para um peluche enorme e lamentar a falta que me fez quando era menina. Hei-de lá chegar, embora me custe a aceitar o estado adulto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-5347006878885107132?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/5347006878885107132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/5347006878885107132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/10/crescimento.html' title='Crescimento'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-2916355135899565941</id><published>2009-06-18T09:25:00.001-07:00</published><updated>2009-06-18T09:55:35.722-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eu'/><title type='text'>Pés na terra</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/SjpvP9pGTRI/AAAAAAAAAB8/8IB_z9wOw8w/s1600-h/pes04zk2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 337px; height: 264px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/SjpvP9pGTRI/AAAAAAAAAB8/8IB_z9wOw8w/s400/pes04zk2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5348709827491548434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuidado. A esfera cor-de-rosa está a diluir-se. A areia, que sempre pairou no ar, está a depositar-se na terra fria e dura. O corpo está enfim a despedir-se das nuvens e a descer à terra. A enraizar-se. Tenho medo. Pensava que não tinha sonhos, mas vivia num sonho ilusório permanente. Até já presto mais atenção às pessoas quando passo na rua. Encaro as pessoas de frente. Já reajo quando me sinto desrespeitada. O trabalho está a diminuir de importância. Há mais vida para além do serviço, percebi eu. Tardiamente? A tempo, talvez, de ainda aprender a viver melhor. Que descoberta! Também há mais vida para além da escrita e da vontade de querer escrever bem. Há a diversão, o estar com os amigos, o rir, o beber um copo, comer uns tremoços, amendoins ou cajus! Digo-vos, estive três horas sábado numa esplanada em Coimbra: música boa, companhia também (feminina). O café estava cheio de gente bonita, intelectual, que adora partilhar pontos de vista no meio de uma bebida alcoólica de bom gosto. Senti-me bem...relaxada. Obrigada V.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-2916355135899565941?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/2916355135899565941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/2916355135899565941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/06/pes-na-terra.html' title='Pés na terra'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/SjpvP9pGTRI/AAAAAAAAAB8/8IB_z9wOw8w/s72-c/pes04zk2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-1092540521227626061</id><published>2009-05-18T11:51:00.000-07:00</published><updated>2009-05-18T12:40:50.057-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A minha história'/><title type='text'>Caprichos</title><content type='html'>Subi,caprichosamente, aquelas escadas. Quais? As do serviço? As da minha casa de Vila Nova de Tazem, que acedem ao quarto de dormir e ao quarto de banho? As pequenas escadas da Casa do Povo, onde passei alguns anos quando era pequena? Exactamente, são estas.&lt;br /&gt;Eram em pedra. Tinham pintinhas e, muitas vezes, ali me esperava uma das minhas educadoras, uma mulher extraordinária, que me marcou a infância. Gostava de mim, tratava-me como uma igual. Recordo ainda as suas mãos bondosas a tentarem tirar-me do colo da minha mãe, quando eu não queria ir para a creche. Foi ela que, certo dia, chamou a minha mãe para me ir ver a andar de triciclo. Uma mulher de grande sensibilidade que me comprou o boneco, que mais tarde baptizei de chorão, aquele com que passei a minha infância. Era a Dona Teresinha, que faleceu precocemente, deixando os filhos e eu própria envoltos em tristeza.&lt;br /&gt;Aquelas escadas! O quanto a minha família sofria para me fazer chegar àquelas escadas... Depois de andar a pé, certamente cerca de três quilómetros, a minha mãe suspirava de alívio quando alcançava aquele edifício alto, no cimo da rua, bastante inclinada, para cúmulo. Até me arrepio ao pensar que, depois de tanto esforço, eu, rabeta, fazia inversão de marcha e corria furiosamente de regresso a casa! Parece que estou a ouvir a minha mãe gritar para alguém me agarrar. Entretanto, eu já estava ao fundo da rua... Depois não tinha alternativa, se não pegar-me ao colo e então lá aparecia aquela mulher bondosa tentar resgatar-me do quentinho.&lt;br /&gt;Também a minha irmã se queixava das minhas birras e exigências, quando ia para a creche. Abandonava a sua infância para me levar, não sem antes aceder aos meus pedidos de ir para os baloiços ao pé da Igreja. Eu nem queria ouvir, quando ela dizia que tinhamos de ir. Era um verdadeiro martírio... Interessante que, depois de estar a brincar com os outros meninos, não queria vir embora. A mesma irmã, mais velha sete anos, tinha de inventar uma desculpa. Dizia-me que tinha sugus em casa. Bom, era o ódio, o horror, a choradeira sempre que chegava a casa e de sugus nem os invólucros.&lt;br /&gt;Eu chorava... Que saudades desta menina exigente e caprichosa! Era mesmo eu?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-1092540521227626061?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/1092540521227626061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/1092540521227626061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/05/caprichos.html' title='Caprichos'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-6562752549452381048</id><published>2009-04-28T17:27:00.000-07:00</published><updated>2009-04-28T18:14:06.967-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A minha história'/><title type='text'>Partilha</title><content type='html'>Bebo chá, enquanto escrevo. Não que me inspire. Traz-me mais facilmente as recordações que quero registar. &lt;br /&gt;Não tenho qualquer anel, mas se regressar 25 anos atrás, posso ver no meu dedo anelar da mão direita, um daqueles pequenos arames que vinham a atar os sacos plásticos transparentes das compras do supermercado "Pão de Milho", esse mesmo que eu deixei de frequentar, porque encontrava lá toda a gente, que só me perguntava se já casei ou onde estou a trabalhar. O arame está enroscado no dedo, olho e volto a olhar, para ver como fica. O meu sonho é ter anéis de verdade... Hoje tenho alguns, não muitos, mas mesmo assim, não são a minha predilecção. &lt;br /&gt;Se me vir ao espelho, tenho uns pequenos brincos nas orelhas, quase invisíveis, que se mantêm meses sem serem mudados. Se voltasse à mesma época, podia ver cerejas vermelhas nas orelhas a fazer de conta que eram pendentes. Uma brincadeira que partilhava com as minhas irmãs. Era uma alegria, quando o saco das cerejas vinha cheio. Corríamos para a cozinha, comíamos de empreitada e, quando já satisfeitas, punhamos as cerejas nas orelhas e desfilavamos para os espelhos, a mirar-nos. Uma maravilha! Que imagem no espelho, que alegria, que sabor na boca. Nunca mais a minha saliva experimentou aquele adocicado e único paladar feito de sóis, ventos, chuvas e geadas. Tudo naquelas cerejas. A terra, o carinho com que foram cuidadas e apanhadas pelos nossos pais para nos fazerem felizes. Para poderem chegar e dizer: "Há cerejas!" e ouvir os passoas nas escadas de quem corre, pleno de entusiasmo, para uma coisa boa, para um aroma, para uma partilha, uma recordação.&lt;br /&gt;Ao contrário das cerejas, que enchiam sacos, os morangos eram poucos. Mesmo com cor meia esverdeada, tinham um sabor verdadeiramente singular. Neste caso, a palavra partilha ganhava um significado mais intenso. As três manas cortavam os morangos aos bocadinhos, colocavam numa tigela, punham açúcar e aguardavam. Assim que havia molho, cada uma pegava na sua colher e comiamos as três, à vez. Cada uma tirava um bocadinho, não podiam ir dois na colher, senão eu refilava. O mesmo com o molho. Enchíamos as colheres com o molho, quando chegava a nossa vez. Quando uma dizia não querer mais, alguém tinha sorte e acabava com o resto. Normalmente, era eu essa felizarda! Hoje, olho para as mesas das almoçaradas em conjunto e comida não falta. Morangos também há, mas daqueles que enchiam a alma, nem pensar. Têm na cor e no tamanho o que lhes falta na essência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-6562752549452381048?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/6562752549452381048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/6562752549452381048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/04/partilha.html' title='Partilha'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-3760315432102244573</id><published>2009-04-27T03:28:00.000-07:00</published><updated>2009-04-27T04:07:17.524-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A minha história'/><title type='text'>Coisas minhas</title><content type='html'>"Joaquim, quando eu morrer vais casar com aquela moça", disse a minha mãe ao meu pai quando ainda estava grávida de mim. Estava quase no fim do tempo e sentia-se verdadeiramente doente. Não queria deixar os seus filhos em más mãos e pensou numa boa mulher para cuidar deles. Hoje, todos nós sabemos que não foi necessário. Ao contrário de todas as expectativas, a minha mãe criou a sua filha mais nova, eu, até aos 22 anos. &lt;br /&gt;Desde o meu nascimento que o medo da morte da pessoa que mais amava (e amo) me acompanhou. Desde sempre. Certo dia, na creche, quando os outros meninos brincavam na salinha, eu berrava descontroladamente no corredor, a chorar e a dizer que a minha mãe ia morrer, porque tinha comido muito creme torrado. Ela o dissera e a minha mente, pequena ainda, absorveu aquelas palavras como punhaladas. Recordo duas educadoras que me tentaram acalmar, mas é a sensação de desespero que lembro com mais nitidez.&lt;br /&gt;Cresci atemorizada pelo momento em que alguém me dissesse a notícia, pensava na minha reacção, tentava prever as consequências para a minha vida. Hoje sei que, por muito que especulasse, nunca chegaria a adivinhar, na sua crueza, tudo o que sentiria após o desaparecimento daquela mulher que eu conheci doente, mas que me amou como foi capaz e me deu tudo aquilo que pensava que era essencial para mim. Deu-me amor, deu-me carinho, roupa e comida, mas não conseguiu contribuir para o meu amor próprio. Dar-me os parabéns pelas minhas notas não era suficiente para mim. Eu gostava que ela me aceitasse como sou: com as pernas tortas, tímida... Também gostava que nunca me tivesse envergonhado em frente às nossas visitas, dizendo que eu falava pouco. Sentia-me humilhada. Apesar de a acompanhar nas idas à missa, nas tardes de domingo, em que ela fazia renda e eu estudava na "sala de ver televisão", sentadas no mesmo sofá, juntinhas, o nosso diálogo era pouco.&lt;br /&gt;Ela não conhecia as minhas preocupações, nem anseios. Neste caso, não sei de quem é a culpa. Agora, pouco importa. Poucos meses antes de morrer, a minha mãe fez-me um pedido fatal: "Conta-me coisas tuas!!!". &lt;br /&gt;Não consegui dizer uma única palavra. Tanto que ficou por partilhar e a falta que tu me fazes, MÃE.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-3760315432102244573?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/3760315432102244573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/3760315432102244573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/04/coisas-minhas.html' title='Coisas minhas'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-5808850868412570039</id><published>2009-04-17T10:03:00.000-07:00</published><updated>2009-04-17T10:49:39.191-07:00</updated><title type='text'>O futuro</title><content type='html'>Caminhar pelo passado tem sido uma espécie de bálsamo para mim. Uma viagem muito característica das pessoas de signo caranguejo, como eu, que vivem agarrados às recordações com a mesma intensidade com que precisam de ar para respirar. Talvez esta afirmação pareça exagerada aos olhos de alguns, mas, no meu caso, ela encaixa na perfeição. Durante longos anos, olhei em frente e vi lugares, pessoas, frases, momentos idos, parados no tempo, dos quais me alimentei.&lt;div&gt;Hoje, olho em frente e já não vejo o passado. Vejo branco, uma folha pálida, onde vou escrevendo aos poucos a minha vida, feita de cada uma das horas dos dias que vou perpassando. Pela primeira vez, também, sinto que quero que seja eu a pegar na caneta e a escrever nessa folha. Mesmo que sejam umas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;garatujas&lt;/span&gt;, não irá muito além disso, pela inexperiência de escrever a minha vida pela minha mão. Está a ser uma experiência dolorosa, mas, ao mesmo tempo, provavelmente, a mais importante de todas. Hoje percebo melhor a relevância de viver o presente, preparando o futuro. Mas sem grandes ambições. Para mim, sendo também um pensamento recente, o melhor que um ser humano pode ambicionar é ter diariamente qualidade de vida, o que quer que seja que isso signifique. Cada um de nós terá a resposta. Se não se preocupar em saber que factores contribuem para a felicidade genuína, o ser humano passará pela vida sem nunca ter vivido na sua plenitude.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os meus velhos deuses estão a ruir. Quer isto dizer que os meus antigos paradigmas de belo, inteligente, valioso ou importante estão a mudar. A obsessão em avaliar as pessoas pela sua profissão perseguia-me. Hoje sou amiga de uma pessoa, a quem perguntei, tão despropositadamente o que é que fazia, que o episódio ficou gravado na sua memória de forma tão negativa, que ainda hoje lembra. Sempre acalentei uma admiração muito grande pelas pessoas que prosseguiam os estudos, frequentando mestrados e doutoramentos. Também olhei, com um certo desdém, para pessoas de algumas profissões, desvalorizando-as. Hoje sei, a custo, que cada um vale pela sua sabedoria. Tirada da vida, dos livros, das meditações, pouco importa. Somos todos iguais, somos todos humanos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Neste instante, quero escrever na pálida folha de papel que vou colocar as minhas energias a procurar-me a mim mesma, a definir a minha identidade, os meus gostos e as minhas limitações. Com clareza e sem complexos. Acrescento que o passado será sempre um tempo feliz (ou mais ou menos) que quero recordar e registar por escrito, mas que teve o seu tempo próprio. Já lá vai.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-5808850868412570039?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/5808850868412570039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/5808850868412570039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/04/o-futuro.html' title='O futuro'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-1714836419280122680</id><published>2009-03-08T10:34:00.001-07:00</published><updated>2009-03-08T11:20:11.322-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eu'/><title type='text'>Ser mulher</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/SbQLDZyFe2I/AAAAAAAAAB0/M2687KOVD4o/s1600-h/p%C3%A9talas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310882013665131362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 127px; CURSOR: hand; HEIGHT: 127px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/SbQLDZyFe2I/AAAAAAAAAB0/M2687KOVD4o/s400/p%C3%A9talas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;8 de Março de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é o nosso dia, mulheres de todo o mundo.&lt;br /&gt;Por isso, parabéns!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parabéns à mulher que vela o seu filho moribundo até ao último suspiro;&lt;br /&gt;Parabéns à mulher que agarra no seu rebento, sangue do seu sangue, e se lança no mundo sozinha, contra tudo e todos;&lt;br /&gt;Parabéns à mulher que chora e ri as lágrimas e os risos dos outros;&lt;br /&gt;Parabéns à mulher que compreende a dor humana com um simples olhar;&lt;br /&gt;Parabéns à mulher que trabalha de sol a sol e desconhece o significado da palavra descanso;&lt;br /&gt;Parabéns à mulher que trata os enteados como se fossem seus filhos;&lt;br /&gt;Parabéns à mãe que ama os seus filhos por igual;&lt;br /&gt;Parabéns à esposa que não abandona o seu marido na doença;&lt;br /&gt;Parabéns à mãe que perdoa;&lt;br /&gt;Parabéns à filha que aprendeu a perdoar os erros dos pais;&lt;br /&gt;Parabéns à menina feita mulher sem querer, que superou o sofrimento e lutou pela sua dignidade;&lt;br /&gt;Parabéns à mulher que nunca deixou de perseguir os seus sonhos;&lt;br /&gt;Parabéns à mulher batida que vira as costas ao seu marido agressor e caminha, sozinha, na vida, vulnerável, mas confiante;&lt;br /&gt;Parabéns à mulher que sabe aguardar o momento certo;&lt;br /&gt;Parabéns à mulher que se conhece a si própria e não se deixa influenciar;&lt;br /&gt;Parabéns à mulher que ainda acredita no Pai, quando tudo fica cinzento em seu redor; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um parabéns especial a todas as mulheres que conhecem a sensibilidade. É você uma delas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pétalas de rosa para todas as mulheres que lerem esta singela mensagem escrita por alguém que adora a sua condição de SER MULHER.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-1714836419280122680?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/1714836419280122680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/1714836419280122680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/03/ser-mulher.html' title='Ser mulher'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/SbQLDZyFe2I/AAAAAAAAAB0/M2687KOVD4o/s72-c/p%C3%A9talas.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-8468464941916936846</id><published>2009-03-04T03:13:00.001-08:00</published><updated>2009-03-04T03:40:39.230-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><title type='text'>A precariedade</title><content type='html'>Amigos leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a vida dos jornalistas. Andei a adiar falar da precariedade que afecta esta profissão neste espaço, mas é inevitável. A crise não chegou agora, os jornalistas (a maioria) sempre estiveram em crise, a ganhar pouco mais que o salário mínimo nacional. Então se tivermos em conta que o salário mínimo é de 450 euros e que há muito pessoal jornalista, com curso, carteira, experiência, a ganhar 500 ou 600 (como eu)a revolta surge. Ainda mais, quando existe um subistema de saúde, a caixa de previdência dos jornalistas portugueses, que há uns anos a esta parte deixou de aceitar inscrições de empresas (nunca aceitando a da minha entidade patronal) o sentimento negativo aumenta. &lt;br /&gt;De realçar no texto que se segue, retirado do site do Sindicato dos Jornalistas, o que estes jornalistas representam para o país: "experiência, memória, talento e prestígio". Vale a pena ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Controlinveste: Trabalhadores em greve apelam a cidadãos&lt;br /&gt;A greve de hoje dos trabalhadores do “Jornal de Notícias”, do “Diário de Notícias”, do “24 Horas” e de “O Jogo” está a ser complementada com a distribuição de folhetos de sensibilização aos cidadãos que passam junto às instalações do Grupo Controlinveste em Lisboa e no Porto, bem como nas artérias adjacentes.&lt;br /&gt;No folheto apela-se à solidariedade dos cidadãos para com esta acção de luta e explica-se que esta não foi uma greve decidida de ânimo leve, tendo antes sido uma forma de protestar contra a decisão do Grupo Controlinveste, proprietário dos quatro jornais, de despedir 119 trabalhadores, entre jornalistas, gráficos, técnicos e outros profissionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para evitar ou diminuir o número de despedimentos, os trabalhadores e os seus representantes apresentaram propostas concretas à Controlinveste, que passaram até pela diminuição dos seus salários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, nenhuma dessas sugestões foi aceite e o grupo também se escusou a apresentar medidas alternativas, o que revela que “a Controlinveste não quis realmente negociar, pois desde a primeira hora pretendeu apenas ver-se livre destes trabalhadores”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esse motivo, o folheto acusa a decisão do despedimento de ser injusta, por comprometer o rendimento de mais de uma centena de famílias, desnecessária, pois havia outras formas de reduzir encargos, mantendo os postos de trabalho, e prejudicial, porque desperdiça a experiência, a memória, o talento e o prestígio de muitos trabalhadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frisando que os jornalistas e outros trabalhadores não são os únicos prejudicados pela situação, o documento sublinha que este despedimento afecta a capacidade de trabalho das equipas que fazem todos os dias os quatro jornais referidos, tendo a empresa planos de publicar nos vários jornais as mesmas notícias, as mesmas reportagens e as fotografias, como forma de rentabilizar recursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora isso ameaça servir pior os interesses dos leitores e diminuir a qualidade dos títulos e da democracia, pois deixará os cidadãos sem acesso a informação verdadeiramente diversificada, impossibilitando-os de escolher e de recolher pontos de vista diferentes que os ajudem a formar a sua opinião e a tomar as suas decisões.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-8468464941916936846?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/8468464941916936846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/8468464941916936846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/03/precariedade.html' title='A precariedade'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-3997515171174733164</id><published>2009-02-22T03:15:00.000-08:00</published><updated>2009-02-22T04:40:02.359-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A minha história'/><title type='text'>O relógio</title><content type='html'>Depois de uma noite mal dormida, levanto-me e olho pela janela. Estava sol! Menos mal, pensei eu. Desço e encontro uma mulher sentada a costurar, de casaco vermelho, com um gato aninhado ao cimo das costas. Era a minha irmã mais velha, que me conta aquela "aventura", que se repete quase diariamente. Um jovem passou quase uma hora a olhar para ela pela janela. Ela dizia adeus, mas ele não se ia embora. Um homem novo que as circunstâncias da vida tornaram aos olhos de todos um louco, andava pelas ruas como um alienado, sempre com as mesmas roupas, imundo. Um pobre diabo, mas que não fazia mal a ninguém! Um dia vira-o descalço em cima do alcatrão quente, sem se magoar. As suas pernas e pés estavam tão vermelhos e as veias tão grossas que durante algum tempo pensei como seria possível aguentar, com um calor tórrido, os pés a caminhar sobre o asfalto. Mais tarde percebi que o cérebro lhe tinha retirado a possibilidade de sentir...&lt;br /&gt;Naquela manhã pouco fiz nos meus trabalhos de casa. As aulas na escola primária começavam às 13:15 e eu, mais uma vez, não fiz mais nada se não chatear aquela irmã para me ir fazer o almoço. Era sempre o mesmo. Frigideira ao lume com azeite e alho, um resto de batatas cozidas que tinham sobrado do dia anterior, com um ovo mexido por cima. Eu gostava daquela comida. A merenda para os meus intervalos já estava pronta. O pão com manteiga para o primeiro estava na sacola e a Mizé já tinha pegado numa vara e retirado uma laranja da árvore do quintal da frente. Nem sempre era sumarenta, aliás a maior parte das vezes sem sequer tinha um pingo de sumo, mas eu comia na mesma. Naqueles intervalos, não raras vezes escondia-me dos colegas para comer. Mas não era a única. Agora que olho para trás, decerto que teria colegas que nada levavam. Apesar desses, não deixava de olhar para as minha amigas que todos os dias comiam iogurtes. Uma colega em particular, a Sofia, levava diariamente um iogurte Ucal, que eu invejava. Era uma rapariga vaidosa, que andava já de salto alto e punha baton nos lábios. Bonita! Certa vez, entrou na Igreja para ir à missa e pensei para comigo como seria ela em adulta. Ela não chegou ao estado adulto. Um brutal acidente de viação a caminho da Suiça roubou-nos a sua companhia, o seu sorriso, o seu olhar negro. A mãe morrera também. Ficaram o pai e o irmão carregados de preto e de uma tristeza perene. Não a esqueço. Um dia foi a minha casa, desci as escadas com um fato vermelho e sei que ela disse que eu estava bonita. Ela levou um bebé chorão para brincarmos. O boneco tinha uma particularidade: uma pilinha. Eu nunca tinha visto pilinhas nos bonecos. Só nos bebezinhos e acho que de raspão.&lt;br /&gt;A coisa marcou-me de tal maneira que, mal a Sofia se foi embora, disse à minha mãe: "o chorão da Sofia tinha um pirilau"! Indescritível a gargalhada que se seguiu. A história foi contada e recontada para minha infelicidade. Não direi que toda a minha terra soube, mas as pessoas da rua onde eu vivia (que tem mais de um quilómetro) tomaram conhecimento daquele pormenor íntimo do boneco inofensivo da minha amiga. &lt;br /&gt;Estava a chegar a hora de ir para a escola. Também naquele dia fui para o exterior do pátio à espera da minha boleia. A senhora que trabalhava nos correios tinha dois filhos a estudar: um na minha turma, o Marco, e outro na turma da minha irmã Sofia, o Bruno. A Sofia e o Bruno tinham aulas de manhã, eu e o Marco à tarde. A senhora dava-me boleia e, assim que nos deixava na escola, ao filho e a mim, apanhava de regresso o outro filho e a minha irmã. Neste encontro rápido e efémero com esta irmã, mais velha que eu um ano, mas que a inteligência permitiu que fizesse dois anos escolares em apenas um, ela tirava rapidamente o seu relógio e passava-mo. Só tínhamos um, mas éramos felizes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-3997515171174733164?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/3997515171174733164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/3997515171174733164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/02/o-relogio.html' title='O relógio'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-2494359391085319092</id><published>2009-02-07T16:23:00.000-08:00</published><updated>2009-02-07T17:24:40.732-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A minha história'/><title type='text'>A apanha da batata</title><content type='html'>A ansiedade pelas férias de Verão em Aveiro começava meses antes da viagem de comboio। Na apanha da batata, actividade que eu não aceitava de bom grado por causa do imenso calor, vinha de vez em quando uma das minhas irmãs mostrar-me o suor do rosto e da barriga, enquanto dizia: "Lembra-te que daqui a pouco estamos no mar em Aveiro!". Depois fazia o gesto com as mãos de quem nada bruços. Nem eu nem ela sabiamos nadar, mas pouco interessava. Era esse pensamento que nos fazia retirar com algum ânimo a rama da batata, ir buscar os baldes, meter as mãos na terra, encher as sacas. A minha irmã sonhava com a praia, o futuro, eu acho que pensava mais nas pausas para a bucha e na hora de ir embora.&lt;br /&gt;Mas não eram dias imperfeitos. A terra mostrava-se fértil, convivíamos com os nossos tios e tias, que manuseavam a enxada com a mestria de uma vida inteira no campo. "Vergonha é não trabalhar", dizia um tio meu, já falecido, a quem só conheci roupa da lavoura, na maioria descosida e cheia de terra entranhada. A sua mulher, irmã do meu pai, de tanto vergar para trabalhar, foi deformando as costas. A enxada lançada com força à terra, a azeitona apanhada do chão, os balaios e os sacos da vindima levados às costas deram-lhe um novo desenho. Da tia Lurdes conheço outra roupa, além da usada no campo. Sempre que vai ao cemitério põe as suas vestes mais tristes. Toda de negro mostra à sociedade a saudade deixada pelos pais, a quem teve de cuidar até ao fim. Parte da sua força física e anímica pode dever-se ao vinho. O copito não podia faltar à mesa, nem na jorna. Como pensava que fazia bem à saúde, sempre que estava comigo, resolvia encher as rolhas das garrafas e dar-me as uvas fermentadas teria eu poucos anos de vida. Sorriem... pois, a sua atitude fez-me apreciar o vinho de Vila Nova de Tazem. Já com idade para ter juízo, nos dias da apanha da batata, ia ao garrafão beber às escondidas e, com dois ou três golos, ficava tonta e pronta para ir para casa dormir. Dizia à minha mãe que não me estava a sentir bem e lá ia carreiro acima, com a mão na testa e a engolir em seco, meter-me na cama. Aconteceu, pelo menos, duas vezes. Não sei se culpe a senhora ou se lhe agradeça...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-2494359391085319092?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/2494359391085319092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/2494359391085319092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/02/apanha-da-batata.html' title='A apanha da batata'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-4450864787472463355</id><published>2009-01-29T08:52:00.000-08:00</published><updated>2009-01-29T08:56:19.828-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A minha história'/><title type='text'>O início</title><content type='html'>É preciso respirar bem fundo para começar. Tirar o casaco, sossegar uns segundos, estender os dedos e escrever. Vou esperar pela explosão? Ela virá? Será que os sentimentos vão explodir numa erupção vulcânica cuja lava vai aquecer e ceifar vidas, não pela destruição, mas pelo desgosto?&lt;br /&gt;Ou será que tudo vai sair miudinho, como um fio de água numa nascente? &lt;br /&gt;Veremos. Por ora, vou escrevendo umas letrinhas atrás das outras.&lt;br /&gt;"Queria um pão de quartos", pedi eu ontem numa padaria. Pareciam mesmo um pão de quartos aqueles paezinhos no cesto de verga naquela padaria e a minha vontade era tanta que assim fosse que pedi logo um pão de quartos, antes de perguntar que tipo de pão era aquele. Não era um pão de quartos, era parecido, mas mesmo assim comprei dois pães, para fazer a forma do pão de quartos que se vendia na padaria da Sra Micas ao fundo da recta onde estava instalada a casa dos meus avós maternos, que viu nascer e crescer gerações.&lt;br /&gt;Foi para lá que os meus pais voltaram depois da diáspora em terras de Angola, vindos à força. De uma vida mais ou menos estável, saltaram para dias preenchidos de sacrifícios.&lt;br /&gt;Que saudades daquele pão. Quer dizer, não era bem do pão. Era mais da voz da minha mãe a pedir-me para ir buscar o pão. Era o gosto de a ver com o pão e podermos lanchar um pão com manteiga e chá. É do momento que eu tenho saudades, o pão é só um pormenor. Faltam todos os outros. A mesa da cozinha, a Mizé nos intervalos da costura, a mãe sentada num banco pequeno de madeira, o coador que nunca se encontrava na gaveta do talher, os pijamas, a falta de vontade de sair de casa, o ambiente de férias das aulas, as conversas, as lágrimas, a estima, a ternura, o conforto emocional, qual cobertor de flanela. Eu queria, passados mais de 15 anos, trazer à minha realidade aquele momento que é, eu sei, irrepetível. Obrigada, Deus, por ele, ao menos, ter existido.&lt;br /&gt;A minha infância não foi cor-de-rosa, nem negra. Teve um cinzentão que foi entrando por mim adentro. Ainda hoje retirar esse cinzento é uma tarefa muito difícil. O rosto fica sisudo, hirto, as sobrancelhas franzidas, o olhar esgazeado. A cabeça cabisbaixa. Quando estou cinzenta não estou cá, estou só em mim, vagueio por mim, a realidade é difusa e desfocada. &lt;br /&gt;Tudo começou na barriga da minha mãe. Ela já tinha tido seis filhos (embora um tivesse morrido) e estava de novo grávida. Talvez eu no lugar dela tivesse chorado o dobro e enchido a aldeia do meu desgosto. Ela definitivamente não&lt;br /&gt;queria ter mais filhos. Tendo nos braços uma menina de meses, quem gostaria de saber que estava de novo de esperanças? E a sociedade, a vergonha?&lt;br /&gt;Não me digas que estás outras vez grávida?, perguntou-lhe, a certa altura, uma vizinha que, vendo-a triste, a questionou. Ela assentiu e a choradeira molhou olhos, rosto, camisola, saia até atingir a combinação e, inevitavelmente, a pele. Eu lá dentro, ainda senti decerto a humidade da tristeza e, além de hoje ser macambúzia, também choro muito. Pois é, a barriga cresceu, mas como toda ela era gordura, não se notava muito. Mas aos nove meses, já lhe perguntavam se estava grávida, ao que ela respondia: "não, é das cerejas".&lt;br /&gt;Por seu lado, a enfermeira, que viu a minha mãe quando se dirigiu ao hospital para dar à luz, ficou meia amarela, quando lhe respondeu que ia ter um filho a esta simples pergunta: a senhora vem doente? "Não, venho para ter um filho...". Se calhar, para aquela enfermeira, a minha mãe só tinha comido umas cerejas a mais!&lt;br /&gt;A paciência era pouca e as dores muitas. Eu ainda não queria nascer (claro, eu estou sempre atrasada) e a minha mãe pediu uma injecção, se não deitava-se pela janela abaixo. Ainda nasci antes de almoço, pois a minha mãe ainda comeu uma feijoada. Todos os anos até aos 22 (idade que eu tinha quando a minha mãe partiu), ela repetia a história do meu nascimento no dia do meu aniversário. Sem esquecer aquela parte em que uma senhora de Vila Velha de Ródão lhe pediu a menina tão bonita que ela tinha nos braços. "Eu enchi-me de força, agarrei em ti, meti-me num táxi e cheguei a casa. Ninguém contava contigo. Foi uma festa", contou-me ela depois. Talvez quisesse transmitir-me alguma coragem para a vida, com o testemunho da sua atitude, mas ela falta-me todos os dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-4450864787472463355?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/4450864787472463355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/4450864787472463355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/01/o-inicio.html' title='O início'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-3951926105270660496</id><published>2009-01-20T06:59:00.000-08:00</published><updated>2009-01-20T07:23:03.081-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociedade'/><title type='text'>A esperança</title><content type='html'>Depois de uma semana a ver e rever o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Ronaldinho&lt;/span&gt; na TV, ficámos todos a saber que ele não tem sangue azul, mas sim que é ouro que lhe corre nas veias. Pois, mas não é dele que eu quero falar - alguém tem o contacto dele, quero comprar um carro novo? - é do homem que hoje toma posse como presidente dos Estados Unidos da América. Num mundo em crise ou recessão como lhe queiram chamar, há um homem que representa a esperança... "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Yes&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;We&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;can&lt;/span&gt;", diz ele, acompanhado de milhares de vozes, em todo o planeta. Esta tomada de posse representa também a possibilidade de um pouco de Portugal entrar na Casa Branca, caso ele escolha o cão de água português para as filhas. Bom, mas o Barack Hussein Obama (sim, Hussein!) é um bom homem, como foi Kennedy, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Marthin&lt;/span&gt; Luther King, que acabaram da mesma forma: não morreram, mas perderam a vida. O que vai ser de Obama? Um negro, com sede de justiça, vai conseguir acabar com o racismo (no seu país, em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;primeiro &lt;/span&gt;lugar), contribuir para a paz no mundo, representando uma mudança para a humanidade? Ou vai ser, como os outros, uma ameaça a liquidar? &lt;div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-3951926105270660496?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/3951926105270660496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/3951926105270660496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/01/esperana.html' title='A esperança'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-7048179595155013978</id><published>2009-01-07T04:07:00.000-08:00</published><updated>2009-01-07T05:19:21.041-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociedade'/><title type='text'>Doutores e engenheiros</title><content type='html'>"Daqui fala o Dr.... A Antónia está?", perguntam ao telefone. "Não, não, não está...", respondo. "Diga quando chegar, por favor, que telefonou o Dr...". "Com certeza", replico e desligo, a deitar fumo pelas ventas e a pensar que já me estragaram o dia.&lt;br /&gt;"Estes indígenas auto intitulam-se doutores como se tivessem nascido já com o afixo. Como se deixassem de ser os "Antónios", os "Joões" e os "Maneis" e passassem a ganhar um novo nome, no entanto sem registo na conservatória", penso e continuo: "isto não é só ao telefone". Ainda outro dia estava em serviço e perguntei o nome à pessoa com  quem estava a falar. Foi assim. "Desculpe, como se chama?" "Eng. Pestana,  e você?" "Eu respondi: Maria João". É o meu nome. Os outros podem-me tratar de outra maneira, com o tal afixo, mas eu sobre mim, nunca jamais em tempo algum porei a dra. atrás. Que falta de "savoir faire", que coisa estranha, em que mundo vivemos nós.&lt;br /&gt;Mas, não é só. Quando estes senhores têm a infelicidade de partir, os anúncios de agradecimento nos jornais enchem-me novamente de revolta: "Morreu o Dr. Anastácio".... "Mas que raio, até na morte se é doutor". Sempre pensei que eram as pessoas que morriam. Mas não, são os doutores e os engenheiros. Até parece que o nome - quando efectivamente se tem nome na sociedade - não vale tudo... lembro que até nas sepulturas é frequente a alusão aos drs. Recordo, a este propósito, a sepultura simples, mas de um peso enorme, que José Maria Eça de Queiroz (o grande Eça da literatura portuguesa) tem num cemitério pequeno, em Tormes. Figura ímpar no domínio das letras, cujo nome está acima de todos os sss e rrr, doutores e engenheiros. Eu que pensei que o grande Eça estava em Paris, quando me deparei com a sua sepultura na localidade onde está a fundação Eça de Queirós, no alto de uma serra, no Douro. Um sítio quase ermo, junto a umas vinhas, onde não passam táxis, onde não há casa. Um local que Eça herdou pela parte da esposa e onde teve de chegar montado num burro. Conta-se a grande desilusão que foi para o diplomata chegar àquelas serranias, quando a sua mente tinha imaginado outro conforto e mordomia. No entanto, foi essa experiência que lhe serviu para escrever a obra "A Cidade e as Serras". Sempre valeu a pena... Eça de Queirós era um senhor dr. e foi sepultado como mero homem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-7048179595155013978?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/7048179595155013978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/7048179595155013978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/01/doutores-e-engenheiros.html' title='Doutores e engenheiros'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-2300741233537252066</id><published>2009-01-04T17:16:00.000-08:00</published><updated>2009-01-04T17:22:19.556-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escola'/><title type='text'>A saga dos professores</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/SWFgfhfjooI/AAAAAAAAAAo/5aIBalh7Ymk/s1600-h/image.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5287613532192612994" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 242px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/SWFgfhfjooI/AAAAAAAAAAo/5aIBalh7Ymk/s320/image.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas últimas duas décadas, os professores passaram de mitos a alvos a abater. A carreira docente está pelas ruas da amargura e os professores não sabem o que fazer.&lt;br /&gt;Vem esta conversa a propósito da imagem - real - que recebi hoje pela internet (ao lado). Faz-nos pensar no mundo em que estamos, de onde vimos e para onde vamos. Se o menino não quer ginástica, não faz e acabou!, pensam os pais que tomam uma posição determinada à custa da sua falta de paciência e de capacidade para dialogar com os filhos, submetendo-se à ditadura inflexível dos mais pequenos.&lt;br /&gt;Longe vão os tempos (os meus, por exemplo) em que ter aulas de desporto era uma sonho. Aliás nunca realizado, porque nunca tive professor. Hoje creio que essas aulas me fizeram falta, porque não está a ser fácil adquirir hábitos de vida saudável. Eu, como menina aplicada que era, talvez interiorizasse que fazer exercício físico é fundamental para a saúde física e mental. De tal forma era aplicada que até me apaixonei por um professor, normalíssimo numa altura em que se pensava que os professores sabiam tudo e os miúdos, como eu, tinham a noção da responsabilidade, mas, sobretudo, gostavam de estudar. Não para tirar boas notas - também -, mas, acima de tudo pelo gosto pelo conhecimento.&lt;br /&gt;Hoje em dia, as crianças mudaram. Não têm de lutar para obter o que quer que seja. Tudo lhes vem ter às mãos. Encho-me de perplexidade quando vejo que hoje os pais oferecem, no mínimo, 100 euros em prendas de Natal para os seus filhos. "Eles pediram. É uma forma também de compensar", ouço dizer. Eu compreendo, mas... Ainda há 20 anos atrás corri a chorar de revolta, porque queria 'uma prenda de desembrulhar", coisa que raramente tive em criança, se tive foi uma ou duas vezes, no máximo.&lt;br /&gt;Perante miúdos que mascam chicletes, bebem álcool, não têm qualquer motivação para estudar, levantam-se 'n' vezes dos seus lugares, jogam computador nas aulas, mandam SMS e adoptam muitos outros comportamentos que nem faço ideia, porque felizmente não sou professora, os docentes vêem o seu quotidiano escolar, já de si muito difícil, cheio de novas exigências burocráticas.&lt;br /&gt;Todos sabemos que há prof. e Professores, gente que dava umas coisas - como todos os meus professores de Matemática - e profissionais que preparavam as suas aulas com brio e que ainda tinham a capacidade de ensinar algo para a vida, em termos de formação pessoal. O primeiro grupo devia ser banido, o segundo não devia ser sujeito a mais trabalho...&lt;br /&gt;Passámos do 8 para o 80, com todas as injustiças e contradições que isso acarreta. Vivemos uma época de mudança e só os que tiverem muito bom senso e boa formação podem seguir em frente, com sangue frio, calma e capacidade para resolução dos problemas, de forma equilibrada. Quem não tiver coragem pode vir a engrossar os valores já altos de professores em depressão. Aliás, os professores têm 20 por cento mais propensão para estados depressivos que o resto da população. Antes, invejava os professores, porque tinham um bom salário e muitas férias. Agora, agradeço estar fechada numa sala em frente a um computador, a escrever, sem ouvir a barulheira infernal dos garotos, a maior parte com falta de educação e infinitamente cruéis para com os colegas e professores.&lt;br /&gt;Mesmo assim, amanhã não me apetece ir trabalhar. Posso ficar em casa? Mas recebo o salário à mesma, ok?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-2300741233537252066?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/2300741233537252066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/2300741233537252066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/01/saga-dos-professores.html' title='A saga dos professores'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_AJ7Pnxz9oqs/SWFgfhfjooI/AAAAAAAAAAo/5aIBalh7Ymk/s72-c/image.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-1417634869984691878</id><published>2009-01-01T16:23:00.000-08:00</published><updated>2009-01-01T16:53:05.570-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eu'/><title type='text'>Ano Novo</title><content type='html'>Enfrentei um nevoeiro espesso durante a viagem, mas cheguei, enfim, ao meu canto. Para trás ficou a família, o barulho das crianças (que não têm culpa, a minha cabeça é que está cansada e a paciência escasseia), uma mesa farta de comida e a sensação de que as férias de Natal estão a terminar.&lt;br /&gt;Eu não tive férias. Amanhã vou trabalhar, mas ainda bem, porque o trabalho é, para mim, uma forma de me distrair e gastar o tempo. (Sinto que estou a começar a sofrer do problema que afecta algumas pessoas que é: falta de planos para férias e refúgio na profissão).&lt;br /&gt;Bom, mas a notícia de hoje é que começou um novo ano. Normalmente, nestas alturas, os desejos saltam em catadupa para a mente. Na noite da passagem de ano, só pedi um. Mas, agora, que já passou um dia, apetece-me alargar a lista:&lt;br /&gt;1) Saúde - fazer mais exercício físico e comer menos.&lt;br /&gt;2) Dinheiro - aumentar os meus rendimentos, através de técnicas de poupança ou, quem sabe, arranjar um part-time;&lt;br /&gt;3) Actividade profissional: melhorar a escrita, cumprir horários e lembrar-me todos os dias de que a motivação é apenas um estado de espírito;&lt;br /&gt;4) Amor: por mim própria. Melhorar a auto-estima e a autoconfiança. Os outros só são melhores do que eu em duas coisas: confiam neles próprios e têm coragem; &lt;br /&gt;5) Amizade: ser mais amiga do amigo. Retomar contactos antigos e alargar círculo de amizades. &lt;br /&gt;6)Sonhos: começar a minha Volta ao Mundo, com uma pequena viagem de duas semanas a uma cultura diferente;&lt;br /&gt;7)Projectos: apostar na dança, fazer curso de reiki primeiro nível...&lt;br /&gt;8)Comprar um carro novo;&lt;br /&gt;9)Dormir menos e viver mais. Hoje, por causa da vontade de dormir, deixei de brincar com uma criança fantástica. Desculpa, pequena, espero para a próxima conseguir satisfazer a tua vontade e a de todas as crianças com quem estiver a conviver. Elas valem de facto a pena e são um bom argumento para eu ter entusiasmo pela vida.&lt;br /&gt;10) Vida amorosa: é um sonho com barbas. Mas nunca é demais pedir. Gostava de encontrar uma pessoa a quem me pudesse dedicar a tempo inteiro, com entrega total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-1417634869984691878?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/1417634869984691878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/1417634869984691878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2009/01/ano-novo-enfrentei-um-nevoeiro-espesso.html' title='Ano Novo'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-5180513079986934885</id><published>2008-12-30T18:03:00.000-08:00</published><updated>2008-12-30T18:28:23.248-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eu'/><title type='text'>Desconsolo</title><content type='html'>Como sempre e, mais uma vez, outra e outra, só. São duas da manhã e ainda estou no meu local de trabalho. Mais um jornal seguiu, mais uma etapa se fechou. Agora é esperar pelo próximo e rezar que caia do céu a motivação necessária para o fazer a este e a todos os outros até chegar aos 65 anos! Falta mais do dobro da minha idade, nada de especial!&lt;br /&gt;Os pés estão frios, a cabeça dói, o corpo está mal alimentado. Já todos saíram e eu fiquei, porque a responsabilidade assim o exigiu. Para me consolar, vim até à Internet, mas hoje parece que nada me consegue fazer deslizar os lábios para um sorriso.&lt;br /&gt;Depois de um Natal tão bom, em que estive com a família, como podia sorrir depois de um dia de serviço, repleto de telefonemas, textos, dúvidas, perguntas, exigência de respostas, barulho, todos a falarem ao mesmo tempo, discussões, más disposições, facadas prontas a dar nas costas dos colegas. Enfim, um pouco de tudo.&lt;br /&gt;Até o meu colega foi extremamente simpático quando saiu, dizendo: "Boas festas, se tiveres quem tas faça!" Só me quis provocar e, se calhar, conseguiu. Não tenho quem me faça festas, mas tenho uns lençóis maravilhosos à minha espera em casa. E, porque será que não vou? Porque adio a ida para casa? Será que o que me espera é o cenário de sempre?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-5180513079986934885?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/5180513079986934885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/5180513079986934885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2008/12/desconsolo.html' title='Desconsolo'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-945545332403527147</id><published>2008-12-29T03:16:00.000-08:00</published><updated>2008-12-29T03:22:47.804-08:00</updated><title type='text'>Livros indecentemente caros</title><content type='html'>António Lobos Antunes disse sábado, 27, que os livros em Portugal são “indecentemente caros”, em relação a outros países como a Alemanha, Holanda e Noruega, onde o poder de compra é superior ao português.&lt;br /&gt;Como concordo com ele. De facto, quantos livros ficam nas bancas da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Fnac&lt;/span&gt;, Bertrand e outras lojas porque, enfim, quem gosta de cultura normalmente tem uma profissão que não lhe permite ter dinheiro para "a comprar" e é o que se passa comigo. Parece um contra senso e é-o, de facto. Quem ama as letras, a música, a arte de tal forma que escolhe uma forma de vida relacionada com as várias manifestações artísticas tem vencimentos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;baixissimos&lt;/span&gt; pela desvalorização que o país reserva à cultura. Como se esta não fosse também essencial. “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que vem da boca de Deus”. Pegando nestas palavras bíblicas, eu diria: “nem só de pão vive o homem, mas sim de toda a arte que eleva o espírito ao mais alto nível do cosmos”.&lt;br /&gt;O sonho de criança em fazer a minha própria biblioteca está a caminhar mais devagar do que o pretendido. Recebi um livro no Natal. Ena!! Mas a leitura, essa, não espera. Por isso, socorro-me das magníficas bibliotecas municipais tão minhas amigas que me deixam levar livros para casa gratuitamente.&lt;br /&gt;A quem devo agradecer? A mim e a quem paga os seus impostos. Obrigada!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-945545332403527147?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/945545332403527147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/945545332403527147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2008/12/livros-indecentemente-caros.html' title='Livros indecentemente caros'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-2890989979226821870</id><published>2008-12-26T04:31:00.001-08:00</published><updated>2008-12-26T06:44:02.880-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Não ao Primeiro Ministro</title><content type='html'>O povo está insatisfeito com o Governo.&lt;br /&gt;As críticas à mensagem de Natal do Primeiro-Ministro foram imensas, de todos os quadrantes políticos e também da população. É só ler os comentários às notícias na Internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ano foi pródigo em greves, em muitos sectores: camionagem, CTT, ensino, função pública em geral. Manifestações de desagrado foram incontáveis.&lt;br /&gt;Mas quando chegarem as eleições legislativas, o povo, à boa maneira de Felgueiras, vai dizer sim ao Governo e ao PS. Sejamos honestos connosco próprios e pensar que é necessária uma mudança. Chega de clientelismo. É preciso acreditar num partido que dê algumas garantias de seriedade. Quem é ele?&lt;br /&gt;A resposta é difícil, mas o povo deve exigir dos seus políticos mais e é possível dar a volta. Eu acredito que sim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-2890989979226821870?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/2890989979226821870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/2890989979226821870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2008/12/no-ao-primeiro-ministro.html' title='Não ao Primeiro Ministro'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-6212628727662364591</id><published>2008-12-26T04:17:00.000-08:00</published><updated>2008-12-26T06:49:54.138-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trânsito'/><title type='text'>Mortes na estrada</title><content type='html'>Segundo as estatísticas, neste Natal houve menos mortos nas estradas. No entanto, os números podem não ser completamente reais, como sabemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas a culpa, creio eu, já deixou de ser do Governo, da GNR ou de qualquer força de segurança em Portugal. A culpa é do comportamento dos condutores na estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os portugueses não respeitam os limites de velocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os portugueses ridicularizam quem respeita os limites de velocidade e quem anda devagar nas estradas quando o piso está escorregadio ou quando o trajecto inclui curvas e contracurvas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os portugueses ultrapassam veículos nas curvas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os portugueses não ouvem quem lhes chama a atenção para a velocidade excessiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os portugueses bebem muito e conduzem à mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto reflecte a educação, a formação que nós não temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela minha parte, que ouvi "n" buzinões por andar devagar (e já tive de pagar uma  multa de 300 € por excesso de velocidade), apenas quero fazer uma sugestão, pelos menos aos municípios: que seja colocada iluminação nas passadeiras ou uma espécie de tinta que brilhe à noite para evitar tantos atropelamentos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-6212628727662364591?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/6212628727662364591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/6212628727662364591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2008/12/mortes-na-estrada.html' title='Mortes na estrada'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-8005027244156641289</id><published>2008-12-24T03:14:00.000-08:00</published><updated>2008-12-26T08:19:14.455-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Natal'/><title type='text'>O rodopio</title><content type='html'>Parece uma romaria, mas não é para Fátima, nem coisa parecida. Os carros atropelam-se para chegar e todos querem chegar primeiro. Parece que o mundo inteiro se lembrou de ir à mesma hora às compras ao centro comercial onde eu e uma amiga pretendíamos ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há pachorra. No entanto, pensei, era normal, estamos em vésperas de Natal. Mas depois aconteceu o incrível. Entrámos numa loja em que a roupa estava completamente virada e remexida como se por lá tivesse passado um furacão. Não, era a loucura de querer ficar mais bela do que a gaja que anda a dar em cima do patrão. Ou a ânsia de arranjar namorado na passagem de ano. Não sei, o facto é que tive vontade de perguntar a alguma funcionária se tudo tinha sido provocado num só dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era montões de roupa em cima das mesas, de tal maneira largadas que era impossível escolher o que quer que fosse. Roupa no chão misturada com cotão... camisolas de lã penduradas de tal forma que se rompiam com facilidade. Digamos que muita roupa naquela loja estava estragada e poderia nunca mais ser vendida. Conclui que as funcionárias da loja decidiram só arrumar quando as hordas de mulheres ávidas saíssem, o que iria só acontecer à meia noite quando o centro encerrasse e as pessoas tivessem de fugir para os carros e enfrentar as filas para sair da pequena catedral do consumismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, para quê?&lt;br /&gt;Tanta coisa, para se esgotar num momento, em algumas horas, numa noite. Para a vida voltar a ser igual quando o Ano Novo chegar. Com uma diferença: muito dinheiro a menos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-8005027244156641289?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/8005027244156641289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/8005027244156641289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2008/12/o-rodopio.html' title='O rodopio'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1679857523256535165.post-4826606095871509367</id><published>2008-12-23T09:46:00.000-08:00</published><updated>2008-12-23T09:48:33.323-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Natal'/><title type='text'>Dicas de Natal</title><content type='html'>A lista de prendas&lt;br /&gt;Mesmo com o consumo em queda e com a intenção de muitos portugueses em gastarem menos dinheiro em prendas neste Natal, o facto é que as lojas estão plenas de artigos muito atractivos para crianças e adultos e resistir é difícil... Mesmo que as lojas ainda não tenham conhecido grande assédio por parte de compradores, nos dias anteriores ao 25 de Dezembro, há sempre uma campainha cerebral que chama as pessoas à compra desmesurada. Na sociedade de consumo instalada, toda a gente acaba por gastar mais do que quer.&lt;br /&gt;Por isso e para resistir às tentações dos centros comerciais e comprar quatro ou cinco presentes para uma pessoa, toda e qualquer compra devia ser antecedida pela elaboração de uma lista, tendo em conta as necessidades ou preferências dos destinatários. E, assim, talvez, se consiga atingir aquele estado quase iluminado de ir a um centro comercial comprar algo específico que falta e voltar para casa, são e salvo, sem dores de consciência, nem pensamentos labirínticos à procura de soluções para pagar as despesas obrigatórias. A psicologia aconselha os pais a aprenderem a dizer “não” a alguns pedidos dos filhos. A carteira agradece e os mais pequenos aprendem, mais cedo, a tolerar a frustração e a valorizar mais as prendas recebidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sacos &lt;br /&gt;Com as compras, entram em casa os sacos de plástico ou de papel. A tarefa posterior é arranjar um sacão onde enfiar os sacos plásticos amarfanhados ou devidamente enrolados (há uma técnica gira para guardar sacos a fim de ocuparem menos espaço).&lt;br /&gt;Os sacos de papel ocupam mais espaço, mas fazem sempre jeito quando se quer devolver um tupperware a alguém, ou oferecer ovos. Com isto tudo, os sacos amontoam-se e pode haver soluções, até porque, como todos sabem, os sacos plásticos prejudicam muito o ambiente. Grande parte deles é deitada para os oceanos, provocando a morte aos animais marinhos. &lt;br /&gt;A solução poderia passar por levar menos sacos para casa. Ao fazer as compras de Natal, se todos os artigos forem colocados no mesmo saco, assim seja possível, já é um ganho. Os sacos podem também ser utilizados mais vezes. Se em todas as idas ao supermercado se levarem sacos de casa, os autores do feito podem ser acometidos por um sentimento raro de satisfação pela útil benfeitoria feita à humanidade.&lt;br /&gt;Por último e, para acabar, quando já não servem, os sacos devem ser colocados nos ecopontos. “Um gesto tão simples que até os adultos são capazes de fazer”, diz um anúncio publicitário. Por isso, assim que retirar o plástico deste jornal, não esqueça de o deitar no ecoponto amarelo, o plástico, bem entendido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solidariedade&lt;br /&gt;Esta quadra tem o condão de amaciar os corações mais empedernidos. As campanhas de solidariedade sucedem-se e as pessoas são interrompidas nas suas vidas diárias por pedidos de dinheiro, às vezes, por associações de origem duvidosa. Confesso que detesto que me peçam dinheiro na rua, porque penso sempre que a situação a precisar de auxílio já podia estar resolvida se a sociedade estivesse organizada de outra forma e se os investimentos tivessem sido projectados, controlados e realizados na hora devida. Por vezes, tenho a ousadia de pensar que a solução da nossa crise social poderia passar pela simples realidade de todos os portugueses ocuparem os cargos por mérito, terem motivação para trabalhar (com reforços positivos vindos das entidades patronais, que não passariam necessariamente por aumentos salariais, mas por um elogio particular ou reconhecimento público) e terem vencimentos de acordo com o valor real do seu trabalho. Também tenho a ousadia de pensar que os donos de fortunas dentro de um determinado valor, como é o caso dos jogadores de futebol, deviam ser obrigados a abrir empresas para empregar determinado número mínimo de pessoas. As sociedades perfeitas são utopias, por isso, só posso fazer o meu papel o melhor possível como um pequeno parafuso numa enorme engrenagem, que apenas gostaria que funcionasse com mais fôlego. Aqui fica um desejo para o novo ano...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1679857523256535165-4826606095871509367?l=linguafiadacomlamina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/4826606095871509367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1679857523256535165/posts/default/4826606095871509367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linguafiadacomlamina.blogspot.com/2008/12/dicas-de-natal.html' title='Dicas de Natal'/><author><name>linguafiada</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
